terça-feira , 27 fevereiro 2024
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Má gestão pode custar às indústrias farmacêuticas milhões no processo de separação da matéria-prima até o produto pronto ir para o estoque

Reversão pode ser rápida graças à automação

A ineficiência na gestão do ‘lead time’ industrial pode reter até 30% do faturamento da empresa. A avaliação é do consultor Ricardo Borgatti, sócio da Borgatti Consulting e cofundador da Cogtive, plataforma de automação da gestão da produção fabril. O ‘lead time’ é o período entre o início de um fluxo de processos e a sua conclusão.

Em recente análise de estudo de casos, Borgatti constatou que indústrias de manufatura de produtos para consumo com faturamentos que variam de R$ 300 milhões anuais a mais de R$ 1 bilhão estão retendo desde R$ 15 milhões até R$ 300 milhões em fluxo de caixa. Impacto esse devido, especificamente, “à ineficiência na gestão do ‘lead industrial’”, nas palavras do especialista.

“Esse capital”, adverte, “poderia ser liberado e utilizado para melhorar a saúde financeira das empresas e investimento em oportunidades de melhoria e crescimento”. Por isso, a eficiência na gestão do ‘lead time’ deve ser buscada pelo industrial como um “diferencial estratégico”.

Borgatti explica que, no contexto empresarial da indústria de manufatura, o conceito de ‘lead time’ é frequentemente aplicado à cadeia de suprimentos. “Assim, há diversas naturezas de ‘lead time’ envolvidas, tais como: ‘lead time’ de reposição de insumos, ‘lead time’ industrial e ‘lead time’ de entrega”, enumera.

O ‘lead time’ industrial que foi foco do estudo de Borgatti, considerado no contexto de produção na manufatura, consiste no tempo decorrido desde a separação da matéria-prima até a liberação do produto acabado para o estoque. “A ineficiência nessa gestão pode resultar na acumulação excessiva de estoques de produtos em processo e de produtos acabados, com decorrentes maiores custos de armazenamento, imobilizando um capital que poderia estar proporcionando maior lucro para a empresa”, detalha o consultor.

Em contrapartida, em sua pesquisa Borgatti observou nos casos selecionados que empresas que adotaram uma abordagem de gestão de materiais e fluxos de produção com base no conceito de ‘lean manufacturing’ (manufatura enxuta) identificaram o potencial de redução de até 50% do ‘lead time’. Isso possibilita, assim, uma diminuição significativa nos estoques em processo e de produto acabado.

“Aprimorando suas metodologias de gestão industrial, muitas empresas já identificaram oportunidades ainda maiores de redução do ‘lead time industrial’, de três a quatro vezes. Essa redução tem um impacto direto na necessidade de capital de giro (NCG), sendo a quantia de recursos financeiros que a empresa precisa para manter suas operações”, afirma Borgatti, que lista ainda outros impactos diretos e indiretos (ver em box ao final deste texto).

Um dos casos exitosos é o da Apsen Farmacêutica, usuária da tecnologia da Cogtive para acompanhamento e gestão de seus fluxos produtivos. Empresa familiar fundada há mais de 50 anos, a Apsen, com sede em São Paulo, passou, nesse período, de um pequeno laboratório para um parque fabril.

A gestão do chão de fábrica, antes feita no papel e na caneta, com dados digitados em uma planilha excel, agora é realizada por um software e aplicativo, que lança mão de recursos como internet das coisas e inteligência artificial. Todo o ciclo produtivo passou a ser monitorado em tempo real, incluindo uma visualização 360° da fábrica. O ‘lead time’ industrial da farmacêutica foi reduzido em 46%, informa o gerente de Excelência Operacional da Apsen, Márcio Rodrigues Mendes.

IMPACTOS DO LEAD TIME INDUSTRIAL

Impacto direto
O ‘lead time tem um impacto direto nos custos operacionais de uma empresa. Quanto maior o ‘lead time’, maior a necessidade de manter estoques para evitar a ruptura de estoque e conseguir atender à demanda do cliente. Isso, por sua vez, leva a custos adicionais, incluindo custos de armazenamento e custos de capital parado, além do aumento de riscos associados a obsolescência ou deterioração do produto.

Impacto indireto
O ‘lead time’ pode afetar a reputação e a competitividade de uma empresa. Clientes valorizam empresas que conseguem fornecer produtos e serviços de forma rápida e eficiente. Assim, um longo ‘lead time’ pode resultar em insatisfação do cliente, o que pode levar a perdas de vendas e danos à reputação da empresa.

RESULTADOS DA REDUÇÃO DO LEAD TIME INDUSTRIAL

Uma empresa que consegue reduzir o seu ‘lead time’ pode ganhar uma vantagem competitiva. A capacidade de entregar produtos mais rapidamente do que os concorrentes podem ser um ponto de diferenciação significativo. Além disso, um menor ‘lead time’ pode permitir uma resposta mais rápida às mudanças na demanda do mercado, o que pode ser particularmente valioso em setores de rápido movimento ou grande variação de demanda.

Uma gestão eficiente do ‘lead time’ pode devolver ao caixa da empresa milhões de reais. Essa liberação de capital de giro pode fortalecer a competitividade e saúde financeira da empresa, permitindo o reinvestimento em aumento de capacidade, desenvolvimento de novos produtos, melhorias tecnológicas e ainda proporcionar redução de dívidas e melhora na liquidez, entre outros benefícios.

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