quarta-feira , 16 janeiro 2019
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Estudo britânico associa depressão e antidepressivos a maior risco de trombose e embolia pulmonar

Publicado em julho de 2018 no “Annals of Medicine”, estudo da Universidade de Bristol relaciona a depressão e o uso de antidepressivos ao aumento do risco de tromboembolismo venoso, condição em que um coágulo sanguíneo se solta das veias das pernas e coxas e se desloca até o pulmão, podendo levar à morte.

Além de combater a depressão, uma série de medicamentos antidepressivos vem recebendo múltiplas indicações, que incluem ansiedade, dor e nevralgia, por esse motivo seu uso está aumentando em escala global. Mas o novo estudo Depression, antidepressant use, and risk of venous thromboembolism: systematic review and meta-analysis of published observational evidence, da Universidade de Bristol, publicado em julho deste ano no Annals of Medicine, é um alerta nesse sentido, pois relaciona a depressão e o uso de antidepressivos a um risco aumentado do desenvolvimento de tromboembolismo venoso. A cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que Tromboembolismo Venoso (TEV) é um termo que se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um “trombo”, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. “Esse coágulo causa uma inflamação na parede do vaso e é chamado de Trombose Venosa Profunda (TVP). Quando esse trombo se solta e se desloca até o pulmão, ele é chamado de Embolia Pulmonar (EP) e em muitos casos é fatal”, explica a médica.

De acordo com o estudo, que é uma revisão importante de oito pesquisas científicas observacionais, há relatos de que tanto a depressão quanto o uso de antidepressivos podem estar associados a um risco aumentado de Tromboembolismo Venoso. Antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos de recaptação de serotonina e outras drogas antidepressivas foram associadas a um aumento do risco de TEV. Embora o estudo não tenha provado se as descobertas observadas são impulsionadas principalmente pelas drogas antidepressivas ou pela depressão em si, ou por ambos, ele mostra que existe uma relação entre depressão, uso de antidepressivos e TEV. “As drogas antidepressivas podem causar esse efeito. Mas muitas pesquisas já mostraram que o paciente com depressão sofre com um alto desgaste do organismo e tem reações inflamatórias, por conta do aumento dos níveis de cortisol, hormônio do estresse. Por causa dessa inflamação, os vasos sanguíneos sofrem uma lesão, que pode reduzir também o calibre das veias e artérias, causando hipertensão e trombose”, afirma a médica.

Além disso, o paciente depressivo tende a ser mais sedentário e relapso com a alimentação. “E o sedentarismo e a má alimentação são mais dois fatores de risco para o desenvolvimento da trombose”, afirma a médica.

De maneira geral, segundo a angiologista, os sinais de uma trombose venosa profunda são: dor, calor, sensibilidade, inchaço e vermelhidão nas pernas. “Quanto aos sinais de uma embolia pulmonar, temos a falta inesperada de respiração, a respiração rápida, a dor no peito e a frequência cardíaca”, comenta a médica. “Sentindo qualquer um desses sinais, o médico deve ser chamado imediatamente”, conta a angiologista.

De acordo com a angiologista, alguns outros fatores aumentam o risco para o aparecimento desse quadro: abortamento recorrente, acidente vascular cerebral, anticoncepcional hormonal, câncer, cateter venoso central, doença inflamatória intestinal, doença pulmonar obstrutiva crônica, idade maior que 55 anos, infecção, insuficiência arterial periférica, cardíaca ou respiratória, obesidade, internação em UTI, paralisia dos membros inferiores, quimioterapia, reposição hormonal, tabagismo, varizes, insuficiência venosa periférica, antecedente familiar de trombose e TEV prévio.

Fonte: Cirurgiã vascular e angiologista, Dra. Aline Lamaita é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine. Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a médica participa, na Universidade de Harvard, de cursos de pós-graduação que ensinam ferramentas para estimular mudanças no estilo de vida nos pacientes em prol da melhora da longevidade e qualidade de vida. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. http://www.alinelamaita.com.br/

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