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Logística de órgãos para transplante no Brasil: desafios e avanços

De acordo com a I Reunião de Diretrizes Básicas para Captação e Retirada de Múltiplos Órgãos e Tecidos da Organização Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), os problemas logísticos são responsáveis por cerca de 5% a 10% das doações não efetivadas

De acordo com a Organização Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), a logística inadequada responde por 5% a 10% das doações não concretizadas. Os transplantes, procedimentos complexos, envolvem a substituição de órgãos doentes por saudáveis, com o transporte desempenhando papel crítico.

No histórico, os primeiros transplantes datam os anos 1930, mas a eficácia aumentou significativamente a partir dos anos 1980 com avanços médicos e imunossupressores. No Brasil, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) foi criado em 1997, colaborando com a regulamentação e coordenação do processo.

O transplante de órgãos, procedimento médico complexo que substitui órgãos doentes por saudáveis, é um marco médico que deu nova vida para milhares de pessoas. Desde o pioneirismo de Joseph E. Murray em 1954, até o Brasil realizar o primeiro transplante em 1964, a medicina avançou. Hoje, mais de 80% dos pacientes sobrevivem após o procedimento.

A logística é vital para o transplante, mas problemas podem impactar sua eficácia. O sistema de doação mudou em 2000, adotando o consentimento familiar. No entanto, o transporte de órgãos enfrenta dificuldades. Em 2014, 23% dos corações doados foram perdidos devido à falta de transporte adequado, resultando em 109 mortes na fila por um novo coração.

A ANVISA define regulamentos para o transporte de órgãos, garantindo sua integridade e evitando contaminação. A escolha da via de transporte e embalagem apropriadas são cruciais. Problemas logísticos podem levar à perda de órgãos doados, destacando a necessidade de investir em infraestrutura, capacitação e simplificação de processos.

Apesar de desafios, o Brasil se destaca em transplantes de órgãos, mas melhorias na logística podem aumentar a eficiência. “O investimento em infraestrutura, capacitação e simplificação burocrática foi fundamental para garantir o sucesso dos transplantes e salvar milhares de vidas”, destaca o especialista em logística internacional farmacêutica e Relgov na AGL Cargo, Jackson Campos.

A logística desempenha papel chave em assegurar a viabilidade dos órgãos durante o transporte. Com um tempo de isquemia restrito, órgãos como corações e pulmões requerem eficiência logística para não comprometer a qualidade. “O transporte aéreo é uma opção atrativa devido à sua velocidade incomparável, principalmente em grandes distâncias. É amplamente utilizado para o transporte de órgãos, que possuem um tempo limitado para chegar em condições adequadas ao destino para transplante. Além da velocidade, o transporte aéreo apresenta menores níveis de avarias e extravios, oferecendo maior segurança e confiabilidade”, enfatiza Campos, que salienta também. “A ausência de um sistema logístico adequado é uma das principais causas de perda de órgãos para transplantes. Os órgãos precisam ser transportados, manipulados e armazenados de forma cuidadosa para manter sua integridade e garantir o sucesso do transplante”.

De acordo com o especialista, os avanços e melhorias contínuas na logística de órgãos são essenciais para aumentar o sucesso dos transplantes e salvar vidas. A parceria entre o transporte aéreo e a medicina tem desempenhado um papel fundamental. Desde 2013, um acordo de cooperação entre a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), Ministério da Saúde, Força Aérea Brasileira (FAB) e outros órgãos têm garantido prioridade no tráfego aéreo e vagas específicas em voos comerciais para órgãos e equipes médicas.

Sobre o autor: Jackson Campos, Diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo, autor do livro Venda por telefone sem precisar visitar: Um guia para serviços de comércio exterior, Campos atua com comércio exterior e relações governamentais há anos, o que o coloca em posição de destaque para abordar quaisquer desdobramentos relacionados à importação, exportação, comércio exterior e lobby dentro da logística farmacêutica internacional.

O especialista que também é Fellow do CBEXs possui facilidade em explicar todos os processos e etapas que fazem parte do ciclo de vida de um determinado produto, desde a movimentação de seus insumos até a sua entrega no cliente, desvendando dados, estatísticas e revelando os percalços do comércio exterior. Saiba mais em: www.jacksoncampos.com.br

Publicado originalmente em 1 de setembro de 2023

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