domingo , 3 julho 2022
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Nova técnica não invasiva para remoção de nódulos benignos da tireoide

Estima-se que 60% da população brasileira desenvolverá em algum momento da vida nódulos da tireoide. Destes, 95% serão benignos. Os dados são da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Em alguns casos, a única indicação para o tratamento é a cirurgia convencional, deixando cicatrizes e a possibilidade – em necessidade da retirada total da glândula (tireoidectomia) -, de reposição hormonal para o resto da vida.

Mas esse cenário acaba de mudar e traz aos pacientes com nódulo benignos da tireoide uma inovadora alternativa: o procedimento Ablação por Radiofrequência (RFA). Em fevereiro de 2018, no Hospital Vera Cruz, em Campinas (SP), o médico cirurgião de cabeça e pescoço Dr. José Higino Steck realizou, pela primeira vez em nosso país, o procedimento com material de radiofrequência registrado na Anvisa.

A Ablação por Radiofrequência (RFA) é uma eficaz alternativa para tratar e reduzir o tamanho dos nódulos benignos, císticos e não-císticos da tireoide. “O procedimento de aplicação da radiofrequência é realizado através da inserção de um eletrodo no centro do nódulo a ser tratado, guiado por ultrassonografia. O nódulo é aquecido, fazendo uma termolesão tecidual controlada. O procedimento reduzirá gradativamente, em um período de seis meses após a aplicação, o volume apenas do nódulo, preservando, assim, as funções hormonais da glândula da tireoide, além de evitar a cicatriz, resultado da cirurgia convencional”, explicou Dr. Higino.

No entanto, é importante destacar que nem todos os nódulos benignos são elegíveis para o procedimento de Ablação por Radiofrequência. “Primeiramente, é necessária a comprovação por meio de ultrassonografia e punção aspirativa que esse nódulo é realmente benigno. Além disso, a técnica é recomendada para o tratamento de nódulos grandes que incomodam o paciente e causam sintomas compressivos em estruturas importantes, como o esôfago, dificultando a deglutição; a traqueia, resultando na dificuldade de respiração; ou mesmo nódulos em crescimento que incomodam esteticamente o paciente”, esclarece o Dr. Higino.

A paciente do procedimento de fevereiro já havia sido submetida a uma cirurgia convencional há 10 anos para a retirada de um nódulo benigno do lado direito, que recidivou em um nódulo de 3,5 cm no lado esquerdo. “Como se tratava de uma nova cirurgia haveria um maior risco. Além disso, a paciente apresentava dificuldade para deglutir e grande incômodo quando estava deitada. Vamos acompanhar a redução do nódulo por meio de ultrassonografia e exames das funções tireoidianas por seis meses. Muito provavelmente, teremos uma diminuição de 80 a 90% desse nódulo, que será o suficiente para aliviar os sintomas relatados pela paciente”, diz Dr. Higino.

A Ablação por Radiofrequência também é possível para o tratamento dos nódulos autônomos que produzem em excesso os hormônios tireoidianos causando o hipertireoidismo, conhecida como Doença de Plummer. “Com a chegada do procedimento ao Brasil, temos essa importante opção para apresentar aos nossos pacientes com essa indicação”, completa Dr. Higino.

O médico também explica que não há limites de tamanho do nódulo para a realização do procedimento. “Procedimentos realizados em outros países comprovaram que o nódulo benigno pode ser tratado em uma única sessão de ablação. Porém, para nódulos grandes é necessária uma nova sessão, realizada após seis meses da primeira”.

O procedimento no Brasil segue o mesmo protocolo da Coreia do Sul e da Itália, dois dos mais importantes polos de referência do mundo em Ablação por Radiofrequência para o tratamento de nódulos benignos da tireoide. “Estamos usando o mesmo material utilizado em outros países, sem nenhuma adequação na técnica. Apenas optamos pela sedação anestésica, porém, o procedimento pode ser realizado com uma anestesia local e, quando realizado em um ambiente hospitalar, é possível o uso de anestesia geral. O tipo de sedação será determinado de acordo com o paciente e sua preferência”, esclarece.

Dr. Higino Steck e Dr. Erivelto Volpi, dois dos profissionais brasileiros capacitados para realizar a técnica em nosso paós. concordam que “com a chegada da Ablação por Radiofrequência ao nosso país, temos a oportunidade de apresentar essa importante alternativa aos nossos pacientes, evitando os transtornos e riscos da cirurgia convencional”.

 

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