sábado , 2 julho 2022
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Exame que detecta o vírus causador de câncer de colo do útero chega a pacientes do sistema público de saúde da cidade de Indaiatuba

A partir de uma parceria entre a Unicamp, a Roche Diagnóstica e a Prefeitura de Indaiatuba, todas as mulheres da cidade, entre 25 e 64 anos, agora têm acesso ao teste de cobas HPV, um exame mais moderno para o rastreamento do câncer de colo de útero, substituindo a tradicional citologia (Papanicolau). O exame, que já era oferecido na rede privada, chega à rede pública neste projeto piloto que terá duração de cinco anos.

Essa atualização no sistema de rastreio do câncer de colo de útero, utilizando uma metodologia mais moderna, tem como objetivo analisar a viabilidade econômica (investimento inicial X economia de recursos a médio prazo) para a adoção efetiva e definitiva do teste cobas HPV, o primeiro teste para rastreamento primário de câncer de colo de útero aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration), a agência reguladora de medicamentos dos EUA, e pela ANVISA.
A Roche Diagnóstica está apoiando essa iniciativa fornecendo equipamentos e insumos para análise, sem gerar ônus para a prefeitura.

O estudo está sendo coordenado pelos médicos ginecologistas e pesquisadores da Unicamp, Dr. Luiz Carlos Zeferino e Dr. Júlio César Teixeira. Com a nova metodologia pretende-se aumentar de 30% para 80% a cobertura das mulheres que realizam o exame preventivo. “Nosso maior desafio é organizar o sistema de controle das mulheres rastreadas e, com o novo programa em Indaiatuba, poderemos avaliar e demonstrar a relação custo/benefício da aplicação deste novo método no Sistema Único de Saúde”, explica Teixeira. Desta forma, será possível ampliar o acesso das mulheres atendidas pelo sistema público à melhor e mais moderna técnica para a prevenção do câncer de colo de útero.

A meta do programa é atingir 22.400 mulheres, sendo realizados 4480 testes cobas HPV por ano. Hoje, são feitos cerca de 9 mil exames de Papanicolau no mesmo período, inflando o sistema de saúde pública. “Como não há uma organização sistematizada, muitas mulheres têm feito exames em excesso e outras deixam de fazer”, explica Teixeira. Somente no primeiro mês 750 mulheres foram atendidas em Indaiatuba, 66% a mais do que o número previsto.

O teste cobas HPV, de alta sensibilidade, é capaz de detectar os principais tipos de HPV de alto risco causadores de 90% dos casos de câncer de colo de útero. Simultaneamente, o teste identifica os tipos de HPV 16 e 18, que são mais agressivos, auxiliando a identificação de mulheres com maior risco de desenvolver a doença. O teste detecta as infeções em um estágio anterior ao da citologia, com isso, auxilia a conduta clínica ao identificar o vírus antes que ele comece a causar lesões no órgão. Outro diferencial da nova metodologia é a agilidade na análise, por ser realizada de forma totalmente automatizada: hoje, o resultado do Papanicolau na cidade demora até quatro meses para chegar à paciente, com o cobas HPV esse período cai para 15 dias. Além disso, em caso de resultado negativo, o exame só precisa ser realizado novamente após cinco anos.

De acordo com o Dr. Júlio César Teixeira, em alguns anos o teste de HPV será o recomendado, em termos de efetividade, para o rastreamento do câncer do colo de útero. “As novas gerações, que estão sendo vacinadas contra os vírus do HPV, não desenvolverão as lesões, por isso a citologia perderá sua eficácia no rastreamento primário. Não será eliminada das análises, mas utilizada apenas para diagnósticos detalhados a partir da identificação de algum dos vírus HPV na paciente”.

Para apoiar a iniciativa dos investigadores da Unicamp, a Roche está disponibilizando, em uma parceria de pesquisa, equipamentos automatizados, insumos, recursos e um sistema informatizado para auxiliar na organização. “Com este apoio, reforçamos o compromisso da Roche com a saúde das brasileiras. Trabalhamos constantemente ao lado dos profissionais de saúde, hospitais e governos para ampliar o acesso da população às soluções inovadoras da companhia que trazem segurança, rapidez e eficiência às análises clínicas auxiliando as tomadas de decisões médicas para melhorar a vida das pessoas”, comenta Micha Nussbaum, diretor de Valor Médico e Acesso da Roche Diagnóstica Brasil.

O câncer de colo de útero é altamente incidente, sendo o terceiro mais frequente entre as mulheres. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), uma mulher morre no Brasil de câncer de colo de útero a cada 90 minutos e a taxa de incidência é de 15 novos casos em 100 mil mulheres ao ano[i]. Causado pelo papilomavírus humano (HPV), ele é um dos poucos tipos de câncer que pode ser prevenido.

1- Instituto Nacional do Câncer. Controle do Câncer de Colo do Útero. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa_nacional_controle_cancer_colo_utero/conceito_magnitude Último acesso em 12 de janeiro de 2017

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