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Setor de saúde busca solidez estrutural para viabilizar a Inteligência Artificial

Encontro promovido pela Softtek analisou os desdobramentos da HIMSS 2026 e apontou a governança de dados e a revisão de processos como alicerces indispensáveis para a IA na saúde brasileira

São Paulo, abril de 2026 – A Softtek, multinacional do setor de TI na América Latina, reuniu especialistas e lideranças do setor de saúde, em São Paulo, para avaliar os desdobramentos da HIMSS 2026 no cenário nacional. O encontro, realizado logo após a principal conferência de saúde digital do mundo em Las Vegas (9 a 12 de março), destacou a transformação das tendências globais de Inteligência Artificial (IA) e interoperabilidade em resultados reais e aplicáveis ao mercado brasileiro.

Conduzido por Adriano Candido, Vice-Presidente de Negócios em segmentos estratégicos na Softtek; Diego Pereyra, Healthcare Global Director na Softtek; Danielle Cunha, líder executiva de vendas em saúde na InterSystems, e Marcio Guimarães, gerente executivo de dados e transformação digital na Oncoclínicas&Co, o debate ressaltou que, embora a Inteligência Artificial (IA) e a interoperabilidade sejam as grandes tendências do setor, o sucesso dessas tecnologias depende, antes de tudo, do fortalecimento da base estrutural das instituições.

Apesar do amadurecimento das ferramentas, o consenso entre os participantes foi de que as limitações na integração de dados e a manutenção de sistemas legados ainda são os principais entraves para uma adoção escalável. No cenário brasileiro, a fragmentação de sistemas como HIS, LIS e RIS impede que as informações circulem livremente, o que pode ampliar falhas operacionais caso a IA generativa seja aplicada sem uma base de dados organizada.

A superação dos sistemas legados e a jornada do dado

Para o médico e Healthcare Global Director da Softtek, Diego Pereyra, o desafio central está na simplificação da jornada digital. “A saúde ainda opera com processos excessivamente burocráticos. Enquanto tarefas cotidianas simples levam poucos cliques, procedimentos hospitalares podem exigir até 40. O desafio é reduzir essa jornada para cerca de 10 cliques com o apoio da digitalização. Isso exige dados estruturados e uma revisão profunda de processos para gerar eficiência real e uma experiência centrada no paciente”, destaca.

Complementando essa visão, Adriano Candido reforça que a tecnologia só entrega valor quando encontra uma estrutura de governança sólida. “Não basta adotar a IA pelo ‘hype’; é preciso preparar o terreno. Na Softtek, vemos que o diferencial competitivo das instituições de saúde agora será a capacidade de organizar seus ativos de dados. A IA é o motor, mas a governança e a interoperabilidade são o combustível que permite que essa inovação chegue à ponta com segurança e escalabilidade”, afirma o executivo.

Nesse contexto, a interoperabilidade deixa de ser um termo técnico para se tornar uma necessidade de negócio. Marcio Guimarães, gerente executivo de dados e transformação digital na Oncoclínicas&Co, reforça que a IA já ultrapassou a fase de testes e entrega resultados concretos na automação de tarefas administrativas. “O maior impacto hoje está na redução da carga operacional, permitindo que as equipes foquem no cuidado. Para isso, a interoperabilidade é o elemento essencial que viabiliza a transformação”, afirma.

IA como aliada na humanização do cuidado

A otimização do tempo também foi ponto central na visão de Adriano Carvalho, Gerente Corporativo de TI no Dr.consulta. Segundo ele, a IA é decisiva para a eficiência operacional ao liberar os profissionais de saúde de atividades de apoio exaustivas. “Na saúde, a inovação gera valor quando a IA se traduz em soluções práticas, capazes de transformar a operação, gerar eficiência e elevar a qualidade do cuidado entregue ao paciente”, pontua.

Complementando a visão prática, Thiago Teixeira, gerente de arquitetura corporativa do Grupo Fleury, ressalta que o momento exige pragmatismo para conectar o potencial tecnológico aos problemas reais do dia a dia. “Inovação precisa ser transformada em solução prática, com impacto direto na operação e na qualidade do cuidado entregue na ponta”, explica.

A discussão concluiu que a evolução do setor dependerá menos da adoção isolada de ferramentas e mais da capacidade das instituições de organizar seus ativos estratégicos. Com bases integradas, a IA deixa de ser uma promessa para se consolidar como pilar de sustentabilidade dos sistemas de saúde

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