segunda-feira , 3 agosto 2020
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Roche enfrenta concorrência em biossimilar com inovação

A Roche Farma Brasil prevê mais concorrência neste ano com o aumento de biossimilares no mercado, mas acredita que resistirá bem com lançamentos de seu portfólio de inovação no país.

Patrick Eckert, presidente da Roche Farma Brasil, qualifica 2019 de “muito positivo” com alta de 4% no faturamento de R$ 3,5 bilhões (28% junto ao setor público e 72% no setor privado). A Roche Diagnóstico faturou R$ 671,8 milhões, crescimento de 5%, e a Roche Diabetes gerou R$ 286,2 milhões no país, expansão de 3,5%.

O resultado da Roche Farma foi considerado acima do esperado em razão da retomada gradual da economia brasileira, de transformações internas no grupo e também porque o impacto da concorrência dos biossimilares não foi nem a metade do que se esperava.

Para 2020, Eckert projeta faturamento da Roche Farma entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,4 bilhões, portanto abaixo do ano passado, porque será um ano de aumento dos biossimilares no mercado brasileiro. Mas prevê voltar em 2021 a níveis anteriores de venda e crescimento, quando terá passado o impacto dos genéricos e vários dos produtos inovadores da companhia já estarão integrados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Globalmente, o laboratório suíço conseguiu compensar em 2019 a erosão de receitas atribuída à multiplicação de versões biossimilares de seus líderes de venda em oncologia. Os produtos lançados recentemente atingiram US$ 5,4 bilhões de vendas, enquanto o que deixou de ganhar ficou em US$ 1,5 bilhão.

Severin Schwan, CEO mundial do grupo, espera para 2020 um impacto de US$ 4 bilhões com a concorrência dos biossimilares, fatura que inclui a chegada de novos genéricos no mercado dos Estados Unidos. Em todo caso, os remédios tradicionais, que “envelhecem”, ainda representam dois quintos das receitas da divisão farma.

No Brasil, o grupo suíço tem o projeto de fechar sua única fábrica, localizada no Rio de Janeiro, nos próximos cinco anos. Os remédios do futuro vão ser produzidos em dois polos, nos EUA e na Europa, e talvez também num polo na Ásia pela importância da China.

Mas, ao mesmo tempo, diz Eckert, a Roche aumenta outros investimentos no Brasil que não são produção. Exemplifica que em 2019 a companhia investiu R$ 256 milhões (+36%) em pesquisa clínica, que é uma ferramenta de acesso à saúde. O total investido nessas pesquisas alcançou R$ 564 milhões em três anos. Foram trazidos 70 novos estudos em áreas como Alzheimer, câncer e doenças raras.

Segundo o executivo, os tratamentos inovadores de Roche Farma alcançaram mais de 224 mil pacientes no Brasil em 2019, superando a meta.

Também estratégia de longo prazo no Brasil, na parceria com o governo e outros players para ampliar acesso aos remédios, Eckert destaca lançamentos recentes. Na oncologia, com cinco novas indicações de medicamentos para câncer de mama e câncer de pulmão, em que os pacientes eram órfãos de tratamento. Entrou na área de doenças raras, com avanços no pipeline da companhia. Exemplifica com uma nova indicação para hemofilia (o Hemcibra), já incorporada no SUS, além da disponibilização de terapia contra a esclerose múltipla (Ocrevus) via secretaria de saúde, como o Espírito Santo.

Para 2020, a companhia quer aumentar acesso e disponibilização no SUS às inovações que garantirão o crescimento nos próximos anos, como Hemcibra. Esse medicamento é uma inovação por mudar a rotina de tratamento dos pacientes, que até então eram submetidos a muitas infusões, quase diárias, e agora passam a contar com uma terapia subcutânea e de uso semanal.

“Daremos continuidade a esse trabalho para novas indicações deste produto, assim como a disponibilização de Ocrevus, contra esclerose múltipla, e terapias contra câncer de mama no SUS”, diz o executivo.

Roche vê também oportunidades de projetos de inovação no país. Quer consolidar a transferência de tecnologia de medicamentos contra o câncer ao governo, em parceria com instituições locais (PDP Herceptin). Diz que compartilha a expertise Roche em inovação de moléculas de alta complexidade e biotecnologia com os parceiros locais (Tecpar e Axis).

Outro foco para 2020 são novos padrões em medicina personalizada, “dando o próximo passo na integração de medicamentos e diagnósticos específicos ao que a análise de dados em saúde pode agregar para a tomada de decisão médica”. Destaca o consórcio entre farmas – Lung Mapping – e o investimento local em instituições públicas para implementação de uma rede de dados em oncologia.

Fonte: Valor Econômico

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