Iniciativa amplia autonomia produtiva, fortalece a cadeia da saúde e impulsiona inovação no país
O anúncio da produção nacional do insumo farmacêutico ativo (IFA) utilizado em medicamentos como o Buscopan representa um marco para a indústria farmacêutica brasileira. Para o Grupo FarmaBrasil, que reúne 12 das principais fabricantes nacionais – entre elas a Hypera Pharma, responsável pelo complexo industrial da Brainfarma, que concentrará a produção do insumo no país -, a iniciativa contribuirá para a segurança do abastecimento, a ampliação do acesso a medicamentos e o fortalecimento de um ambiente mais favorável à inovação e à produção local.
“É um movimento que impulsiona a base produtiva nacional e mostra a capacidade da indústria brasileira de liderar projetos com impacto direto na saúde da população”, avalia Reginaldo Arcuri, presidente-executivo do Grupo FarmaBrasil.
O Brasil será o primeiro país da América Latina a dominar essa etapa da cadeia produtiva. A iniciativa permite internalizar a produção da escopolamina, substância essencial para esses medicamentos, a partir do cultivo da planta duboisia no país, consolidando um modelo que integra desde a matéria-prima até o produto final. Com isso, o país reduz a dependência de fornecedores internacionais e amplia a previsibilidade no abastecimento de tratamentos amplamente utilizados no sistema de saúde.
Esse avanço ganha ainda mais relevância diante do atual grau de dependência externa do país em insumos farmacêuticos. Dados do IBGE mostram que os produtos farmoquímicos apresentam participação de importações superior a 80% da oferta total, alcançando 88,1% em 2019, 87,4% em 2020 e 84,6% em 2021. Ou seja, trata-se de um dos segmentos mais dependentes de importações dentro da cadeia da saúde, o que reforça o caráter estratégico da internalização produtiva de IFAs.
O projeto também posiciona o Brasil em um grupo restrito de nações com domínio dessa tecnologia, ao lado de poucos produtores globais, e reforça uma atuação mais ativa na produção de insumos farmacêuticos de maior valor agregado.
“Além de ampliar a capacidade produtiva nacional, a nova planta deve impulsionar geração de empregos qualificados, estimular o desenvolvimento tecnológico e fortalecer o ambiente de inovação, com efeitos positivos para toda a cadeia da saúde no país”, destaca Arcuri.
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