Após quase duas décadas entre ciência, tecnologia e empreendedorismo, Deivis Guimarães levou uma healthtech brasileira à Europa, e agora vê sua plataforma de biotecnologia entrar no radar de farmacêuticas, fundos internacionais e instituições dos Estados Unidos.
O que investidores internacionais, empresas farmacêuticas, instituições científicas e agências de desenvolvimento econômico estrangeiras começaram a enxergar em uma plataforma de biotecnologia criada no Brasil?
A resposta não está em um único produto, tampouco em uma descoberta recente. Ela vem sendo construída por quase duas décadas, na interseção entre pesquisa clínica, desenvolvimento tecnológico, empreendedorismo e internacionalização.
No centro dessa trajetória está Deivis Guimarães, pesquisador clínico e empreendedor brasileiro que construiu sua carreira tentando vencer uma das barreiras mais difíceis da ciência aplicada: transformar conhecimento em tecnologia, testar essa tecnologia em seres humanos e criar condições para que resultados científicos possam produzir impacto na vida real.
Depois de internacionalizar negócios, conduzir pesquisas clínicas e publicar resultados científicos, Guimarães chega a uma nova etapa, sua plataforma de biotecnologia mantém hoje sete novas frentes de investigação, prepara uma estrutura que deverá reunir centenas de profissionais sob sua coordenação, incluindo dezenas de pesquisadores, e avança nas discussões para sua expansão nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, existem negociações com empresas farmacêuticas relacionadas ao produto investigado para o manejo de sintomas associados ao Autismo, e tratativas avançadas com dois fundos internacionais de investimento sobre sua plataforma, e o interesse parece estar indo além dos produtos, está começando a alcançar algo construído durante quase duas décadas: conhecimento.
Duas décadas entre ciência e empreendedorismo
A trajetória de Guimarães foi construída entre dois mundos que, no Brasil, ainda encontram dificuldade para conversar: academia e mercado.
Desde suas primeiras iniciativas em biotecnologia e saúde, sua atuação passou a seguir uma lógica recorrente: identificar problemas, desenvolver soluções, testar sua aplicabilidade e buscar caminhos para que aquilo que nasceu como projeto possa ganhar escala.
Uma das demonstrações mais claras dessa característica ocorreu fora da biotecnologia propriamente dita. Guimarães fundou e desenvolveu a Pharmanexo, plataforma tecnológica desenvolvida no Brasil para integrar instituições de saúde e fornecedores dentro da cadeia de medicamentos. Segundo dados da própria companhia, o ecossistema alcançou mais de 9 mil estabelecimentos de saúde integrados e bilhões em processos de cotação relacionados ao setor de medicamentos no último ano. O projeto cresceu no Brasil, mas foi fora dele que uma nova oportunidade surgiu.
Portugal enxergou potencial no projeto brasileiro
Em 2020, a experiência desenvolvida no país abriu uma nova fronteira internacional, um projeto baseado naquele conhecimento foi selecionado dentro do ecossistema português de atração de empresas e startups, em processo relacionado ao IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação de Portugal.
A aprovação permitiu que Guimarães ingressasse no programa português de atração de empreendedores e obtivesse residência no país vinculada ao desenvolvimento do projeto empresarial. Nascia a Integrare, concebida para adaptar ao mercado europeu parte da experiência acumulada no Brasil com integração tecnológica aplicada ao setor da saúde.
A empresa passou posteriormente por duas rodadas de investimento e entrou em uma nova fase de governança, com participação de capital internacional e perspectivas de expansão da solução para outros mercados da União Europeia. Na sequência, a Integrare deu origem a um spin-off especializado em soluções para a cadeia de suprimentos em saúde, a HealthSupply, concentrando uma frente específica relacionada à integração, gestão e eficiência dos processos de abastecimento e fornecimento.
Era uma demonstração de um padrão que começaria a se repetir na carreira de Guimarães: desenvolver no Brasil, validar, estruturar, criar negócios e internacionalizar.
Quando a ciência começa a produzir ativos
Paralelamente à trajetória empresarial, Guimarães aprofundava sua atuação na pesquisa translacional aplicada à saúde.
Uma de suas primeiras linhas clínicas envolveu pacientes com doença de Parkinson e doença de Alzheimer, com resultados positivos dentro daquele programa de desenvolvimento, o interesse ultrapassou o ambiente científico e culminou posteriormente na negociação dos direitos comerciais mundiais do produto com um grupo internacional. A experiência representou um marco: uma investigação desenvolvida no Brasil havia avançado clinicamente e despertado interesse comercial fora do país.
Mas o desafio seguinte ganharia uma dimensão significativamente maior.
O autismo muda a dimensão da pesquisa
Nos anos seguintes, Guimarães e seus colaboradores avançaram sobre uma das áreas mais complexas da pesquisa clínica contemporânea: o transtorno do espectro autista (TEA).
O trabalho concentrou-se em uma fronteira científica que ganhou grande interesse internacional nas últimas décadas: compreender as interações entre microbiota, sistema gastrointestinal, metabolismo, imunidade e sistema nervoso através do chamado eixo microbiota-intestino-cérebro.
A pergunta era ambiciosa: seria possível modular parte desse sistema e observar alterações clinicamente mensuráveis em crianças com TEA?
Para responder, a equipe avançou para investigação em seres humanos, e em janeiro de 2026, uma etapa importante do programa chegou à literatura científica internacional, um ensaio clínico randomizado e duplo-cego envolvendo uma mistura probiótica foi publicado na BMC Pediatrics, periódico integrante do portfólio da Springer Nature. O estudo envolveu 207 crianças entre 3 e 11 anos e avaliou segurança, tolerabilidade e diferentes desfechos clínicos durante 90 dias.
A hipótese começava a enfrentar o teste mais importante da ciência: produzir dados em pacientes e submetê-los ao escrutínio científico internacional.
A pergunta seguinte: os resultados persistiriam?
Em junho de 2026, um segundo trabalho foi publicado na revista científica internacional Life, ampliando a janela de observação do programa, acompanhando os efeitos sustentados por 270 dias, permitindo observar o comportamento dos desfechos por um período significativamente maior.
A sequência entre o ensaio randomizado e seu acompanhamento longitudinal deu ao projeto uma característica importante: já não se tratava de uma observação científica isolada, mas da construção progressiva de um programa de pesquisa.
E o próximo passo já está aprovado, um novo estudo multicêntrico envolvendo 1.500 crianças com TEA, aprovado no sistema CEP/CONEP, ampliará substancialmente a escala da investigação e acompanhará também desfechos pedagógicos, adaptativos e a evolução das crianças em seu ambiente social. A sequência do ensaio clínico inicial ao acompanhamento por 270 dias e, agora, a um protocolo multicêntrico de maior escala demonstra a continuidade de um programa científico construído para avançar progressivamente em tamanho e complexidade.
Uma possível nova fronteira não farmacológica
Os resultados publicados não significam que exista atualmente um tratamento aprovado para autismo baseado nessa tecnologia e tampouco autorizam substituir abordagens terapêuticas estabelecidas, mas levantam uma possibilidade científica relevante.
Se os achados continuarem sendo confirmados em populações maiores, intervenções direcionadas ao microbioma poderão futuramente integrar uma nova geração de estratégias não farmacológicas complementares para o manejo de manifestações associadas ao TEA.
Não se trata de propor uma “cura” para o autismo, a questão científica é determinar se mecanismos relacionados ao eixo microbiota-intestino-cérebro podem ser modulados de maneira segura e clinicamente relevante.
Para milhões de famílias, avanços capazes de produzir melhorias consistentes em aspectos do funcionamento adaptativo e em manifestações associadas ao transtorno poderiam ter consequências importantes sobre autonomia e qualidade de vida.
É justamente nesse ponto que o projeto começa novamente a ultrapassar as fronteiras acadêmicas.
Da publicação ao interesse da indústria e do capital
Os resultados começaram a despertar atenção também fora do ambiente científico.
Segundo a Henrique Malina fundador da AcceVita e responsável por alianças globais da plataforma, após a validação científica iniciou-se negociações com indústrias farmacêuticas nacional e internacionais em torno do produto investigado para o manejo de sintomas associados ao autismo. Paralelamente, existem negociações avançadas com dois fundos de investimento interessados na plataforma de biotecnologia e em seu potencial de expansão.
O olhar dos investidores, entretanto, não estaria concentrado somente nos produtos existentes no pipeline, parte da avaliação recai sobre um ativo muito mais difícil de reproduzir: o conhecimento acumulado ao longo de quase duas décadas de pesquisa, desenvolvimento, validação clínica, empreendedorismo e construção de negócios em saúde.
Em biotecnologia, capital consegue comprar equipamentos, construir laboratórios e contratar profissionais, mas há algo que o dinheiro não consegue simplesmente comprar de uma hora para outra: tempo científico acumulado.
Protocolos, experiência clínica, capacidade de estruturar estudos, conhecimento regulatório, formação de equipes multidisciplinares e o histórico de transformar hipóteses em projetos executáveis constituem uma infraestrutura intelectual desenvolvida ao longo dos anos, e é essa combinação entre pipeline, conhecimento e capacidade de execução que ajuda a explicar por que indústria, investidores e instituições estrangeiras começam a olhar simultaneamente para a mesma plataforma.
Um roadmap que vai além do autismo
O programa científico não foi construído em torno de uma única indicação, o roadmap liderado por Guimarães contempla atualmente outras sete frentes de investigação, algumas avançando em diferentes estágios de pesquisa clínica em seres humanos.
Os programas combinam biotecnologia, microbioma, pesquisa translacional, desenvolvimento de produtos e validação clínica, e essa dimensão também mudou o próprio papel do pesquisador.
Ao longo dos anos, Guimarães passou da atuação direta em projetos individuais para a liderança de uma estrutura multidisciplinar que deverá envolver mais de 90 profissionais sob sua coordenação, incluindo dezenas de pesquisadores e especialistas de diferentes áreas do conhecimento. O desafio deixa, portanto, de ser apenas científico, passa a envolver liderança, coordenação, capital, infraestrutura e capacidade de integrar diferentes especialidades em torno de um mesmo objetivo.
“Biotecnologia não se constrói individualmente, meu papel mudou muito ao longo desses anos. Uma parte importante do trabalho hoje é reunir pessoas de diferentes especialidades em torno de uma pergunta científica e criar as condições para que essa pergunta possa ser transformada em evidência”, afirma Guimarães.
A escola científica por trás da trajetória
A formação acadêmica ajuda a explicar parte dessa maneira de trabalhar.
Guimarães desenvolveu seu doutorado em Gestão e Tecnologia Industrial com foco em tecnologia no desenvolvimento de produtos pelo SENAI CIMATEC, em uma formação direcionada à aproximação entre tecnologia, desenvolvimento de produtos, inovação e indústria.
Entre as grandes referências de sua trajetória acadêmica está o Prof. Roberto Badaró, médico e cientista brasileiro que construiu uma carreira de forte projeção internacional. Badaró desenvolveu atividades acadêmicas e científicas relacionadas a instituições norte-americanas como Cornell University, Harvard School of Public Health e University of California, San Diego, além de atuação científica em Seattle e colaboração internacional com a Organização Mundial da Saúde.
Para Guimarães, a trajetória de Badaró representou algo maior do que uma referência curricular, representou a demonstração de que um pesquisador brasileiro poderia produzir ciência no país e, ao mesmo tempo, dialogar e trabalhar com alguns dos principais centros acadêmicos do mundo.
Décadas depois, existe um simbolismo nessa relação, o pesquisador formado sob sua influência prepara agora sua própria aproximação com o ecossistema científico norte-americano. Não para repetir a trajetória de seu professor, mas para construir a sua.
De Krieger a Vasquez: conhecimento transmitido entre gerações
Existe ainda uma segunda escola importante na formação científica de Guimarães.
Em seu pós-doc, passou a desenvolver atividades sob supervisão do Prof. Elisardo Vasquez, pesquisador associado a uma das grandes tradições brasileiras da fisiologia cardiovascular. Essa história remonta ao Prof. Eduardo Moacyr Krieger, professor emérito da Universidade de São Paulo e uma das principais referências brasileiras no estudo da hipertensão e dos mecanismos de regulação cardiovascular.
Vasquez desenvolveu sua formação sob forte influência dessa escola científica e teve papel relevante na descentralização da pesquisa experimental brasileira. Sua trajetória científica também passou pelos Estados Unidos, onde desenvolveu atividades acadêmicas e de pesquisa na University of Iowa, incluindo experiência como Visiting Associate Professor, ampliando sua formação em fisiologia, biologia molecular e modelos experimentais.
Mais do que uma genealogia acadêmica, a relação Krieger–Vasquez–Guimarães representa a transmissão entre gerações de uma determinada maneira de fazer ciência: rigor metodológico, experimentação, mensuração e reprodutibilidade.
De pesquisador a líder científico
A combinação dessas influências ajuda a explicar a trajetória atual.
De um lado, Badaró representa uma ciência brasileira que atravessou fronteiras e ocupou espaços dentro do ecossistema acadêmico norte-americano, complementarmente a escola Krieger–Vasquez com o rigor experimental e transmissão de conhecimento científico entre gerações.
Guimarães tenta agora aplicar esses princípios à construção de uma plataforma própria, à medida que os projetos cresceram, seu papel também mudou: da participação direta na pesquisa para a coordenação de programas, pesquisadores, instituições acadêmicas, empresas e parceiros internacionais, é a passagem de pesquisador para líder científico.
Nos últimos anos, essa atuação também passou a levá-lo como speaker a congressos e encontros científicos internacionais, apresentando trabalhos e participando de discussões envolvendo biotecnologia, microbioma, pesquisa translacional e eixo intestino-cérebro. A ciência desenvolvida no Brasil novamente atravessando fronteiras.
Os Estados Unidos entram no radar
Agora, o próximo capítulo começa a ser escrito nos Estados Unidos.
Guimarães mantém discussões para estabelecer uma nova estrutura de pesquisa, desenvolvimento e biotecnologia no país, e as conversas envolvem instituições acadêmicas e representantes de desenvolvimento econômico e incluem possibilidades de cooperação científica, infraestrutura, desenvolvimento tecnológico e mecanismos de apoio técnico e econômico para implantação da operação nos Estados Unidos da América.
E nesse caso há uma diferença importante em relação a uma startup convencional chegando ao mercado americano, os Estados Unidos podem estar capturando uma plataforma científica já construída, com pesquisa clínica em seres humanos, conhecimento acumulado e linhas de investigação em diferentes estágios de desenvolvimento.
Desta forma a operação não chegaria ao país apenas com uma hipótese ou um plano de negócios. Chegaria com anos de desenvolvimento acumulado, pesquisas clínicas em seres humanos, publicações científicas internacionais, programas de pesquisa em andamento, conhecimento técnico e regulatório, capacidade de coordenação multidisciplinar e um pipeline de novas investigações.
Para o ecossistema americano, isso pode representar a possibilidade de incorporar conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico, capital privado e empregos altamente qualificados em pesquisa e biotecnologia, aproximando a plataforma de universidades, indústria farmacêutica, investidores e centros de inovação dos Estados Unidos.
A diferença em relação à primeira internacionalização é significativa, quando chegou a Portugal, Guimarães levava principalmente uma experiência empresarial e tecnológica construída no Brasil, e agora pretende chegar aos Estados Unidos levando pesquisa clínica, publicações científicas internacionais, experiência na construção e coordenação de equipes multidisciplinares e um pipeline de novas investigações em seres humanos.
Reconhecimento além das publicações
A projeção de Guimarães não ficou restrita aos artigos científicos, ao longo da trajetória, seu trabalho recebeu premiações e reconhecimentos nacionais e internacionais, enquanto sua participação em congressos e atividades científicas ampliou sua presença fora do Brasil.
Entre esses reconhecimentos estão prêmios de Inovação, Comendas estaduais, o Prêmio Dr. Carlos Chagas e reconhecimento internacional da Confederação Mundial de negócios – WorldCOB com sede em Houston/EUA, além de participações como palestrante em eventos internacionais.
Prof. Guimarães também passou a atuar como peer reviewer de periódicos científicos internacionais, atividade que o coloca do outro lado do processo pelo qual suas próprias pesquisas passaram: avaliar metodologia, resultados e relevância científica antes que novos trabalhos ingressem na literatura. É uma mudança importante na trajetória de qualquer pesquisador, primeiro, produzir ciência, depois, ter seus resultados avaliados pela comunidade, e em determinado momento, ser chamado a participar da avaliação da ciência produzida por outros.
Então, o que o Brasil não viu?
Talvez essa seja a pergunta errada. O Brasil viu a maior parte dessa história acontecer, foi aqui que os primeiros projetos nasceram, foi aqui que equipes foram estruturadas e pacientes participaram dos estudos, e foi a partir daqui que tecnologias e empresas começaram a atravessar fronteiras.
Mas outros mercados passaram a enxergar algo além da pesquisa: Portugal enxergou uma oportunidade empresarial, investidores internacionais enxergaram capacidade de crescimento, empresas farmacêuticas começaram a avaliar produtos originados da plataforma, fundos internacionais passaram a analisar não apenas os ativos atuais, mas o conhecimento acumulado por trás deles, e instituições norte-americanas começaram a discutir possibilidades para a próxima fase dessa trajetória.
Há algo de paradoxal nessa história.
Durante gerações, cientistas brasileiros como Badaró, Krieger e Vasquez construíram pontes com grandes centros internacionais para buscar conhecimento, incorporar metodologias e fortalecer a ciência realizada no Brasil.
A geração seguinte começa a enfrentar um desafio diferente: não apenas buscar conhecimento fora, mas levar para fora conhecimento, empresas e tecnologias que começaram a ser construídos aqui.
Quando conhecimento se transforma em valor
Biotecnologia é um setor de ciclos longos, alto risco e enorme necessidade de capital.
Resultados precisam ser reproduzidos, estudos precisam crescer, tecnologias precisam enfrentar validação, regulação e mercado, e nem toda hipótese chega ao paciente, nem toda biotech sobrevive ao caminho, mas existe uma diferença fundamental entre começar essa jornada apenas com uma promessa e chegar a ela depois de quase duas décadas acumulando conhecimento e histórico de execução.
Guimarães entra na atual fase depois de quase duas décadas construindo empresas, coordenando pesquisas, internacionalizando projetos, conduzindo estudos clínicos e transformando parte deles em publicações e oportunidades comerciais.
Seu roadmap mantém sete novas frentes de investigação, um novo protocolo multicêntrico envolvendo 1.500 crianças já recebeu aprovação ética, negociações relacionadas ao produto investigado para autismo com empresas farmacêuticas e tratativas avançadas com dois fundos internacionais, e os Estados Unidos aparecem como possível destino para a próxima etapa da plataforma.
Talvez seja exatamente isso que o capital internacional esteja começando a precificar, não apenas um produto, não apenas uma publicação, não apenas uma empresa, mas quase duas décadas de conhecimento acumulado e a capacidade de transformar esse conhecimento em pesquisa, evidência, tecnologia e negócios.
Nesse contexto, a expansão para os Estados Unidos assume um significado diferente, não seria começar novamente, seria transferir o centro de gravidade de uma plataforma já construída para um ecossistema capaz de acelerar sua próxima etapa.
No fim, a questão talvez não seja simplesmente por que investidores internacionais estão olhando para uma biotech que nasceu no Brasil, a pergunta mais interessante é outra: por que não conseguimos reter um ativo de conhecimento que levou quase 20 anos para ser construído?
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