Apesar de ser uma das dez maiores potências farmacêuticas do mundo, a indústria farmacêutica brasileira depende das importações há mais de seis décadas para produzir medicamentos e vacinas nacionais eficazes. Com base em dados do Ministério da Saúde, mais de 90% dos Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs) são importados, especialmente da Índia e China, e apenas uma pequena fração é fabricada internamente.
Os insumos importados para a produção de medicamentos e vacinas são a base da produção e sua escassez ou encarecimento podem impactar diretamente o abastecimento do sistema de saúde nacional e a demora a respostas a crises sanitárias, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19.
Segundo Eduardo Rocha Bravim, especialista em biotecnologia farmacêutica, instrumentação analítica, controle de qualidade e supply chain científico com atuação internacional, essa dependência é resultado de um conjunto de fatores estruturais. “O Brasil perdeu, ao longo das décadas, capacidade produtiva de insumos estratégicos. Hoje, competir com países que investiram pesado em escala, tecnologia, políticas e incentivos industriais tornou-se um grande desafio”, afirma.
Além disso, o especialista destaca que fatores globais e locais, como custos elevados na produção nacional, complexidade logística, carga tributária e a falta de investimentos públicos consistentes em inovação e pesquisa aplicada se sobrepõem. “Não se trata apenas de vontade industrial, mas de um ecossistema que precisa funcionar de forma integrada”, pontua Bravim.
Embora iniciativas recentes do governo sinalizem uma tentativa de fortalecer a produção nacional de insumos farmacêuticos, o avanço efetivo ainda depende de uma estratégia sólida e de longo prazo. “A reversão desse cenário não ocorrerá de forma imediata. Mudar essa matriz produtiva demanda tempo, investimentos contínuos, políticas públicas estáveis e um ambiente regulatório que dê segurança para a indústria.”, conclui Bravim.
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