terça-feira , 19 janeiro 2021
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Novembro azul: Mapeamento genético pode indicar maior risco de câncer de próstata

Análise dos genes e do histórico familiar são recursos importantes na prevenção e diagnóstico precoce da doença nos homens

Cerca de 70 mil homens são diagnosticados com câncer de próstata no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde – o segundo tipo da doença mais comum na população masculina. E entre 5% a 10% desses casos podem ter origem em mutações genéticas hereditárias. Nos últimos anos, o mapeamento genético evoluiu de tal maneira que hoje já é possível identificar algumas dessas mudanças, fazendo com que se identifique a maior predisposição do paciente à doença e que sejam tomadas medidas preventivas.

Pesquisadores identificaram que os indivíduos que possuem mutações nos genes BRCA (primeiros genes associados ao câncer de mama, do inglês, Breast Cancer), principalmente o BRCA2, têm alto risco de desenvolver câncer de próstata. Essa característica é passada de geração para geração dentro da mesma família. Hoje, são analisados grupos de ao menos 16 genes, pelos chamados painéis multigênicos, que são relacionados ao risco hereditário aumentado de desenvolver a doença.

“Mutações nesses tipos de genes são identificadas em uma parcela significativa dos casos de câncer hereditários. São muitos casos de câncer todos os anos que podem ser evitados com reforço das medidas preventivas nesses indivíduos ou que são descobertos com bastante antecipação, aumentando a possibilidade de cura”, afirma Fernanda Soardi, assessora técnica em Genômica e Genética do Laboratório Lustosa.

As siglas BRCA1 e BRCA2 ficaram famosas após a atriz Angelina Jolie revelar ao mundo que possuía alteração no gene BRCA1 que, junto com estudo do histórico familiar, aumentavam significativamente o risco de desenvolver câncer.

INDICAÇÃO – O mapeamento dos genes BRCA é feito a partir de uma amostra do DNA da paciente, que pode ser retirada do sangue ou da saliva do paciente. O procedimento também faz parte do rol de exames obrigatórios da cobertura de planos de saúde. Há um projeto de lei na Câmara dos Deputados que busca obrigar o Sistema Único de Saúde a realizar o procedimento de forma gratuita.

A indicação prioritária do mapeamento é para homens que tenham casos de câncer de próstata ou outros cânceres relacionados entre parentes próximos. “É importante reforçar que o histórico familiar de câncer não inclui apenas homens que possuem familiares com câncer da próstata. Outros diferentes tipos de câncer na família podem estar associados à alteração de genes associados a um maior risco”, destaca Fernanda.

Outro fator a se destacar é que o mapeamento genético é para mapear a possibilidade de câncer hereditário, principalmente naqueles indivíduos com menos de 40 anos. O procedimento não substitui o acompanhamento periódico e os exames para identificar a doença causada por fatores externos, como o PSA. 

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