Apesar de ampliar a conveniência, a novidade reforça a importância de garantir qualidade, rastreabilidade e uso seguro, aponta especialista da ACG
O novo Projeto de Lei 2.158/2023 autoriza a instalação de farmácias e drogarias em supermercados. Apesar de ser parte do estabelecimento, o espaço deverá estar em local separado de outros produtos, ser exclusivo para atividade farmacêutica e ter farmacêuticos legalmente habilitados. Em caso de medicamentos controlados, eles deverão ser transportados até o caixa em embalagem lacrada ou ter a venda somente após o pagamento.
Diferente do que já vemos hoje em alguns mercados, que têm uma unidade de rede farmacêutica em suas dependências, agora, o próprio comércio poderá ter sua farmácia. Na prática, a medida melhora a conveniência, facilitando o acesso da população aos medicamentos, porém, ao mesmo tempo, impõe novos desafios para garantir a segurança, integridade e controle em um ambiente de grande circulação.
“Com os supermercados se tornando um novo ponto de contato com a saúde, haverá uma mudança relevante na dinâmica de exposição e consumo. Garantir condições adequadas de armazenamento, logística e conservação do medicamento é um fator crítico para assegurar a qualidade. Embora o acesso seja facilitado, o rigor sanitário deve permanecer inegociável”, aponta Alexandre Belizario, Diretor de Vendas Latam da ACG Packaging Materials.
Pensando nisso, para a indústria farmacêutica, o novo contexto pode significar uma revisão estratégica. A ampliação dos canais de venda exige que fabricantes considerem, já na etapa de desenvolvimento, variáveis como maior exposição do produto e diferentes condições de armazenamento. “É nítida a diferença entre o ambiente de um mercado e de uma farmácia. A presença de alimentos, principalmente orgânicos, a higiene e até a climatização, são fatores determinantes e que precisarão estar no planejamento das indústrias antes mesmo da linha de produção”, reforça Alexandre.
Os blisters, cápsulas e caixa passam a ter um papel ainda mais crítico, tanto na proteção e rastreabilidade do medicamento, quanto na orientação ao consumidor. Responsáveis por garantir a preservação da eficácia até o momento do consumo, esses componentes protegem o produto de fatores como umidade, luz, oxigênio e variações de temperatura, atuando, também, como uma barreira contra contaminação. Dependendo do caso, são necessárias até inovações específicas.
“Alguns medicamentos são extremamente sensíveis ao ambiente externo. Então, se não houver uma embalagem adequada, o princípio ativo pode se degradar antes mesmo do prazo de validade”, explica o executivo. A venda em supermercados reforça, então, a necessidade de uma atuação coordenada entre indústria, varejo e profissionais da saúde. Para além dos pontos positivos, o desafio passa a ser garantir que conveniência e segurança caminhem juntas em todas as etapas da jornada do consumidor.
“Esse movimento exige uma adaptação de toda a cadeia, inclusive da indústria. Elas precisarão, cada vez mais, considerar esse novo ambiente de consumo, garantindo que o produto chegue ao paciente com a mesma qualidade, segurança e confiabilidade, independentemente do ponto de venda”, comenta o Diretor. “Para isso, investir em tecnologia e inovações, inclusive em questão de maquinário, blisters e cápsulas, será cada vez mais relevante”, conclui.
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