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Medicamentos em supermercados: especialistas alertam para riscos da automedicação e esclarecem o que muda na prática

Nova proposta amplia debate sobre acesso e segurança; especialistas da Universidade Positivo reforçam que remédios não poderão ficar em gôndolas comuns e exigem controle sanitário rigoroso

A possibilidade de venda de medicamentos em supermercados reacendeu um debate importante no país: ampliar o acesso sem comprometer a segurança da população. O tema, que vem ganhando espaço no cenário nacional, exige esclarecimentos sobre o que, de fato, muda na prática e quais são os riscos para o consumidor.

Especialistas da Universidade Positivo (UP) explicam que a medida não representa liberação irrestrita de medicamentos em prateleiras comuns, ao lado de produtos de conveniência, como alimentos e itens de higiene.

Segundo Gabriel Schulman, docente da Graduação e do Mestrado em Direito da instituição, o modelo previsto exige a instalação de uma farmácia dentro do supermercado, com estrutura e normas específicas.

“Não se trata de colocar medicamentos em gôndolas comuns. A legislação exige um espaço delimitado, controle sanitário rigoroso e presença obrigatória de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento”, explica.

O especialista destaca que a discussão não está apenas no local de venda, mas no padrão técnico de dispensação.

“O ponto central não é onde se vende, mas como se vende. O medicamento não pode ser tratado como produto de conveniência, e sim como tecnologia de saúde que exige orientação e responsabilidade.”

Risco de automedicação preocupa – Para Felipe Lukacievicz Barbosa, farmacêutico clínico, doutor em Farmacologia e coordenador do curso de Farmácia da UP, a ampliação do acesso pode ter benefícios, mas exige cautela.

“O aumento do acesso pode facilitar o tratamento, mas também eleva o risco de automedicação inadequada, uso incorreto de doses, interações medicamentosas e atraso de diagnósticos importantes.”

Entre as maiores preocupações estão idosos, crianças e pacientes que já utilizam múltiplos medicamentos.

“O grande risco é a banalização do medicamento como item de consumo. Sem orientação adequada, ele pode mascarar sintomas e agravar problemas de saúde.”

O papel do farmacêutico ganha ainda mais relevância – Os especialistas reforçam que a presença física do farmacêutico, embora obrigatória, não é suficiente por si só.

“É necessária uma atuação clínica ativa, com orientação individualizada, análise de interações e esclarecimento sobre contraindicações”, afirma Barbosa.

Para Gabriel Schulman, a nova legislação também pode redefinir o papel social do farmacêutico.

“O impacto dependerá de como esse profissional será inserido nesse novo contexto: como agente de cuidado ou apenas operador de dispensação.” 

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