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Hemobrás bate recordes na captação de plasma e no fornecimento de medicamentos ao SUS

Estatal federal dá passos importantes rumo à nacionalização do processo de produção de hemoderivados e recombinantes

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) registrou marcos históricos em 2025. O volume de captação de plasma recolhido junto à hemorrede nacional – conjunto dos hemocentros públicos e bancos de sangue privados do país – bateu um novo recorde, chegando a 217,7 mil litros. Um crescimento de 8,7% em relação ao ano anterior, já que, em 2024, a estatal federal já havia alcançado a até então maior marca da história, com 200,2 mil litros captados. O plasma é a matéria prima utilizada na produção dos medicamentos hemoderivados.

Outra grande notícia foi o recorde no fornecimento de medicamentos ao Serviço Único de Saúde (SUS). A Hemobrás enviou 658 mil frascos dos hemoderivados albumina, imunoglobulina e fatores VIII e IX da coagulação e 1,3 bilhão de unidades internacionais do medicamento recombinante (produzido por biotecnologia) fator VIII da coagulação, batizado de Hemo-8r. O resultado obtido nos hemoderivados se justifica justamente pela ampliação na capacidade de coleta do plasma, enquanto a maior quantidade de medicamento recombinante atende ao aumento da demanda solicitada pelo Ministério da Saúde.

Muito mais do que números, as estatísticas se traduzem em importantes entregas da estatal à sociedade brasileira. “Nós seguimos no nosso desafio de garantir que o plasma dos doadores de sangue no Brasil retorne à população na forma de medicamentos. Evitando o desperdício desse bem tão precioso, capaz de salvar vidas e melhorar a saúde de milhares de brasileiros e brasileiras. Foi um ano de consolidação da virada de chave pela qual a empresa tem passado com a entrega das fábricas e o início efetivo das etapas de produção nacional”, comenta a presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes.

Quanto mais plasma coletado, mais matéria-prima para a fabricação de medicamentos hemoderivados que chegam aos cidadãos e as cidadãs por meio dos Sistema Único de Saúde (SUS), salvando vidas. O plasma é um dos componentes do sangue humano e é obtido por meio das doações voluntárias e altruístas da população. Após a coleta, o sangue passa por um processo de separação realizado nos próprios hemocentros e bancos de sangue, quando são obtidos o plasma, as plaquetas e as hemácias. Apenas cerca de 30% do plasma é usado nos tratamentos transfusionais e o restante, chamado de plasma excedente, segue para a Hemobrás.

A gerente de Produtos e Suprimentos Farmacêuticos da empresa, Melissa Papaléo, diz que o recorde representa um importante avanço para a Hemobrás, que além da missão tecnológica, científica, tem um forte papel social contribuindo para a ampliação do atendimento do SUS. “Cada gota de plasma conta. O que vier de plasma a mais, vai ser transformado em medicamentos. É um bem importantíssimo para a sociedade”, analisa a gestora.

O recorde, também demonstra que a estatal está avançando de forma estratégica e progressiva para atingir a meta de 500 mil litros de recolhimento anual de plasma, objetivo projetado para ser alcançado até 2030. A estatal é, por lei, a única com autorização para realizar a coleta e armazenagem do plasma excedente no país. A curva ascendente de captação deve ficar ainda mais forte este ano, quando a expectativa é atingir 300 mil litros da matéria-prima. Melissa Papaléo informa que a tendência é aumentar ainda mais o recolhimento até dezembro, com ações em várias frentes.

NOVOS INVESTIMENTOS

A primeira iniciativa, já em andamento, é o investimento de R$ 116 milhões do Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), na aquisição de equipamentos para os hemocentros (serviços públicos de hemoterapia) já qualificados, com distribuição de equipamentos da cadeia do frio.

Hemocentros públicos de todo o país estão recebendo os blast freezers, que são para o congelamento ultrarrápido, portanto fundamentais para evitar que ocorra a perda de proteína do plasma, e freezers – 30 graus, adequados para o armazenamento.

O critério adotado pelo Ministério da Saúde para priorizar a distribuição desses equipamentos – que deve elevar em 27% o volume de plasma recolhido – levou em conta serviços que tinham maior capacidade de captação, com menos condições de armazenagem. A estratégia evita que por falta de condições ideais ocorra o desperdício da matéria prima.

Para avançar ainda mais nas metas de ampliar a captação de plasmas, a Hemobrás está priorizando a ampliação da participação de serviços privados. Nesse sentido, negociações mediadas pela Associação Brasileira de Bancos de Sangue (ABBS), com a participação do Ministério Público Federal, estão em fase final e devem resultar na assinatura de um termo de cooperação com os grandes grupos privados. Esse acordo vai permitir que esses serviços privados vinculados à ABBS sejam auditados, qualificados e passem a contribuir com doações de plasma destinadas à produção de medicamentos.

O cronograma para 2026 já prevê a auditoria do Grupo Pulsa, um dos maiores do país. Outro grande serviço privado, o Grupo GSH, já teve suas unidades auditadas e deve iniciar o fornecimento do plasma ainda neste primeiro trimestre.

Em paralelo à formalização dos acordos, a Hemobrás vai reservar, ainda este ano, R$ 10 milhões para apoiar hemocentros privados já qualificados que necessitam de investimentos para adequar as condições de armazenamento do plasma. Para serem contemplados, os serviços deverão comprovar capacidade de ampliar o fornecimento de plasma em relação ao volume atualmente entregue, desde que disponham de melhor estrutura e equipamentos adequados.

A iniciativa prevê a disponibilização, por meio de cessão de uso, de freezers semelhantes aos que o Governo Federal está assegurando aos hemocentros públicos via Novo PAC. Esses equipamentos atenderão unidades da rede privada e da rede privada vinculada ao SUS.

CENÁRIO OTIMISTA

A Hemobrás também trabalha, em 2026, com cenário otimista no fornecimento cada vez maior de medicamentos recombinantes para o Sistema Único de Saúde (SUS), que são produzidos por biotecnologia, a partir de células de mamíferos e não precisam do plasma. A trajetória de crescimento é impulsionada pelo aumento da demanda e pela rápida atualização dos protocolos clínicos. E a estatal quer entrar justamente nesse nicho de mercado para investir na diversificação do seu portfólio.

“Nosso fator VIII de coagulação recombinante, que batizamos de Hemo-8r, é responsável por uma verdadeira transformação na qualidade de vida das pessoas com hemofilia. Hoje, o SUS proporciona que essas pessoas façam o tratamento profilático, permitindo que elas tenham um dia a dia com muito mais qualidade, com menos restrições. Mas não vamos parar por aí. Estamos estudando novas parcerias para incorporar novos medicamentos recombinantes ao portfólio da empresa, diversificando as possibilidades de atendimento aos usuários do SUS”, explica o diretor de Desenvolvimento Industrial da estatal, Antônio Edson de Lucena.

Outro grande marco é a ampliação significativa das etapas nacionais de produção de medicamentos recombinantes. Iniciada no ano passado, a etapa de embalagem do Hemo-8r (Fator VIII de coagulação) vai ampliar sua produção de 19% para 62% dos lotes distribuídos ao Ministério da Saúde. Ainda este ano, a Hemobrás receberá a inspeção da ANVISA para tentar obter o certificado de Boas Práticas de Fabricação da etapa de envase. Para o ano que vem, é previsto o início da nacionalização da etapa final do processo dos recombinantes, quando a estatal federal dará início à produção do IFA (insumo farmacêutico ativo).

Quanto mais amplia a produção 100% nacional, mais a Hemobrás fortalece a soberania do Brasil na fabricação de medicamentos de alto custo e utilizados para tratar uma série de enfermidades ligadas ao sangue, como hemofilia, imunodeficiências, síndrome de Guillain Barré, leucemia linfocítica, queimaduras graves, infecções generalizadas, entre outras.

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