Configuração especializada do time de engenharia permitiu que robô cirúrgico fosse controlado de outro estado, sem a necessidade de links dedicados de alto custo, abrindo caminho para a democratização de cirurgias à distância no Brasil
São Paulo, dezembro de 2025 – A Fortinet, líder global em segurança cibernética que impulsiona a convergência entre redes e segurança, apoiou no desenho e na implementação da arquitetura técnica que permitiu a realização de uma telecirurgia robótica em cidades distintas, feita pelo Sistema Unimed, utilizando uma conexão de internet tradicional. O procedimento, considerado inédito no mundo nessas condições, demonstra um avanço significativo para a viabilização de cirurgias à distância em maior escala, especialmente em regiões que não dispõem de infraestrutura avançada de internet.
O desafio era conectar de forma segura, estável e sem atraso nas transmissões, o robô que estava localizado em Curitiba (PR), e a equipe cirúrgica que estava em João Pessoa (PB) – 3200 km de distância. Nesta fase experimental, a cirurgia foi realizada em um suíno. Liderada por Guilherme Morais, gerente de engenharia da Fortinet Brasil, a abordagem técnica adotada e o conhecimento da equipe no setor da saúde permitiram que o equipamento médico funcionasse corretamente e com uma latência compatível com as necessidades do procedimento, ou seja, possibilitando a comunicação sem atrasos nos comandos dos médicos e nas transmissões de vídeo e de voz, durante toda a cirurgia mesmo utilizando uma internet comum.
Usualmente, telecirurgias robóticas dependem de infraestrutura de rede dedicada, que possuem custo mensal que pode chegar entre R$ 20 e R$ 30 mil por hospital. Essa barreira econômica impede que esse modelo de cirurgia seja ampliado para sistemas de saúde que possuem menor aporte financeiro, como cooperativas médicas regionais ou entidades filantrópicas, por exemplo.
Fatores importantes diferenciam essa execução e o principal foi o fator humano. A configuração realizada e atuação do time envolvido foi extremamente especializada – não apenas pelas tecnologias e equipamentos da área, mas, principalmente, pelo conhecimento da equipe de engenharia nas especificidades do setor da saúde. Equipamentos médico hospitalares são, por natureza, rígidos e pouco flexíveis em configuração. Esse trabalho garantiu a segurança cibernética da telecirurgia, a estabilidade da rede e a baixa latência, ou seja, o mínimo de atraso na transmissão de dados e a obtenção de respostas mais rápidas. Esse cenário foi ainda mais desafiador, pois não havia documentação técnica disponível dos equipamentos. “Nesse sentido, o conhecimento que nossas engenheiras e engenheiros possuem no segmento da saúde foi fundamental para termos sucesso na iniciativa junto ao Sistema Unimed”, declarou Guilherme Morais.
Thaisy dos Santos e Alisson Freire, engenheiros da Fortinet Brasil e integrantes da equipe do projeto, ressaltaram a dimensão do feito realizado. “Saúde é uma das áreas onde segurança e disponibilidade não são apenas requisitos técnicos: elas ajudam a salvar vidas. Colaborar em um projeto como esse vai além da entrega de tecnologia puramente, é participar de um avanço gigantesco que pode ampliar o acesso à medicina de alta complexidade no país”, declarou Thaisy dos Santos.
Outro fator crucial para o sucesso do trabalho foi o fato dos dispositivos de segurança utilizarem o sistema operacional unificado da companhia, o FortiOS, que oferece grande flexibilidade e as mesmas funcionalidades tanto em equipamentos de grande porte quanto em modelos de entrada, algo incomum no setor de cibersegurança. A arquitetura foi feita por meio de dois firewalls FortiGate – um 500E (na unidade de João Pessoa) e um 40F (em Curitiba) – ambos os dispositivos executaram suas funções plenamente e foram compatíveis com todos os ajustes técnicos necessários para viabilizar a configuração, independentemente do porte de cada um.
Utilizando dois firewalls FortiGate, foi estabelecido um túnel IPSec criptografado (uma conexão segura que encapsula e protege pacotes de dados de redes diferentes através de uma rede pública como a internet), dentro do qual foi configurada uma rede VXLAN (Virtual Extensible Local Area Network), protocolo de virtualização que cria redes locais virtuais, e permitiu que o robô e o console do cirurgião se reconhecessem como se estivessem no mesmo hospital.
“Conseguimos demonstrar que intervenções cirúrgicas complexas podem acontecer fora de grandes centros, sem depender de infraestrutura de telecomunicações de alto custo. A segurança e a confiabilidade foram garantidas pela criptografia, conhecimento especializado e pelas redundâncias configuradas no ambiente por meio das soluções da Fortinet e com todo o apoio do time da Unimed”, explica Morais.
A Fortinet agora está documentando o projeto como guia de boas práticas, para que outras instituições de saúde possam replicar o modelo.
“Estamos orgulhosos de ver o que a cibersegurança pode proporcionar e até onde podemos chegar. Esse projeto abre novos caminhos que apoiam um modelo mais acessível de telemedicina avançada. É uma contribuição para a saúde, para a sociedade e que se transforma em referência para o segmento de tecnologia e segurança cibernética. Continuaremos nossa jornada em ampliar o conhecimento sobre cibersegurança em setores críticos e essenciais, como a saúde”, afirmou Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil.
Segundo Morais, se ampliada, essa solução pode permitir que hospitais regionais realizem cirurgias especializadas sem deslocamento de pacientes e equipes; ajudar na redução de filas por procedimentos cirúrgicos em regiões com baixa oferta de médicos ou infraestrutura; e, sobretudo, democratizar o acesso à cirurgia robótica para redes públicas e cooperativas.
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