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Brasil define caráter estratégico da Indústria Farmacêutica

Estratégia Nacional de Saúde cria diretrizes permanentes para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde; FarmaBrasil destaca que próximo desafio será garantir segurança jurídica e previsibilidade para novos investimentos.

A sanção da Lei nº 15.471, de 20 de julho de 2026, que institui a Estratégia Nacional de Saúde, representa um marco para a política industrial brasileira ao reconhecer a saúde como um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico, a soberania nacional e a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

A cerimônia de sanção foi realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin; do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias; do presidente do Grupo FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri e do presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob), Djalma Dantas.

Durante a solenidade, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a nova legislação amplia a capacidade do país de desenvolver tecnologias estratégicas e reduz a dependência externa. “Sancionar essa lei é um reconhecimento do Estado e da sociedade brasileira de que a saúde, que já é uma das políticas mais importantes de inclusão, de redução da desigualdade e de aumento da expectativa de vida, é também um setor econômico estratégico para o desenvolvimento do País”, afirmou o ministro.

Padilha também ressaltou que a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde permitirá ampliar a capacidade produtiva do país, fortalecer laboratórios públicos e privados e expandir acesso da população a medicamentos, vacinas e outras tecnologias estratégicas para o SUS, consolidando instrumentos voltados à redução da dependência externa e ao fortalecimento da produção nacional.

Para o presidente do Grupo FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri, a sanção representa o reconhecimento de uma agenda construída ao longo de décadas.

“A Estratégia Nacional de Saúde consolida uma visão de longo prazo para o país. Pela primeira vez, a saúde passa a ser tratada não apenas sob perspectivas sociais e econômicas, mas também como um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional e para a soberania brasileira.”

Segundo Arcuri, a nova lei consolida um processo iniciado há décadas, marcado pela criação de marcos regulatórios, pelo fortalecimento da vigilância sanitária, pela política de medicamentos genéricos e por iniciativas voltadas à produção nacional e à transferência de tecnologia.

A necessidade dessa estratégia ficou ainda mais evidente durante a pandemia de Covid-19, quando a dependência externa para medicamentos, insumos farmacêuticos ativos, vacinas e equipamentos expôs vulnerabilidades das cadeias globais de abastecimento.

“Ficou claro que possuir um sistema universal de saúde é condição necessária, mas insuficiente. Sem capacidade produtiva, domínio tecnológico e investimento contínuo em pesquisa, a autonomia sanitária permanece limitada”, afirma Arcuri.

O projeto que deu origem à nova legislação foi apresentado em 2020 pelo então deputado Dr. Luizinho (PP-RJ). Ao longo da tramitação no Congresso Nacional, a proposta contou com relatorias do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), na Câmara dos Deputados, e do senador Rogério Carvalho (PT-SE), no Senado Federal, até sua aprovação definitiva e sanção presidencial.

A nova legislação amplia o conceito de Estratégia Nacional de Saúde ao incorporar temas como inovação, pesquisa clínica, desenvolvimento tecnológico, fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e ampliação do acesso da população às novas tecnologias.

Os números reforçam a importância econômica do setor. Atualmente, a saúde representa 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A indústria farmacêutica nacional responde por aproximadamente 62,7% da demanda de medicamentos do país e expandiu sua produção a uma taxa média próxima de 10% ao ano nos últimos cinco anos. Apesar desse avanço, o déficit da balança comercial do setor alcançou US$ 13,1 bilhões em 2025, refletindo a elevada dependência tecnológica externa.

“A lei cria as bases para que políticas industriais, científicas e de saúde deixem de ser iniciativas isoladas e passem a integrar uma estratégia permanente de Estado. O próximo desafio será transformar esse marco legal em políticas consistentes, capazes de ampliar a capacidade produtiva nacional, estimular a inovação e fortalecer a autonomia sanitária do Brasil”, conclui Reginaldo Arcuri.

Durante o evento, Reginaldo Arcuri, entregou ao presidente Lula o plano BrasilFarma 2035, proposta estratégica desenvolvida para orientar o desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional na próxima década. O plano estabelece metas para ampliar a capacidade de inovação, fortalecer a produção local de medicamentos e insumos estratégicos, reduzir o déficit da balança comercial do setor, gerar empregos qualificados e consolidar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde como um dos motores do desenvolvimento do país.

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