quinta-feira , 13 agosto 2020
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Sete pontos de atenção para vacinação de bebês prematuros

Família deve ficar atenta aos cuidados para imunização das crianças, sem colocar em risco a saúde fragilizada.

Cerca de 190 mil bebês brasileiros nascem prematuros (com menos de 37 semanas de gestação) todos os anos. O Dia Mundial da Prematuridade, lembrado em 17 de novembro, é a data em que médicos de todo o mundo chamam a atenção para os riscos de complicações devido ao organismo ainda em processo formação. É  necessária uma atenção especial a esses pequenos lutadores para protegê-lo e evitar a ocorrência de doenças perigosas.

“O alto número de partos prematuros deve ser encarado como problema de saúde pública, pois tem relação direta com os casos de complicações pós-parto e a mortalidade”, alerta a diretora técnica do Laboratório Lustosa e médica patologista clínica Luisane Vieira.

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção a certos males nos primeiros dias e meses de vida. Mas será que um bebê prematuro pode receber todas as vacinas como uma criança que cumpriu o tempo esperado de gestação?

Abaixo seguem sete pontos de atenção que os pais e familiares devem ter para não colocar a vida das crianças em risco, seja por falta de vacinação ou por uma dose aplicada de maneira equivocada.

1) Primeiras Vacinas

São doses que devem ser aplicadas logo nos primeiros dias de vida. Caso o bebê precise ficar um longo tempo no hospital, deve ser imunizado durante a internação. São elas:

BCG – Protege contra tuberculose, principalmente as formas graves, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar (espalhada pelo corpo). Deve ser aplicada o mais precocemente possível, em dose única e de preferência ainda na maternidade, desde que o bebê tenha peso maior do que 2 kg. Sendo contraindicada para prematuros-nascidos de mães que usaram medicamentos que possam causar imunodepressão do feto durante a gestação.

HEPATITE B – Protege o bebê contra a infecção do fígado causada pelos vírus da Hepatite B. A primeira dose deve ser aplicada, de preferência, nas primeiras 12 a 24 horas após o nascimento, sendo seguida de mais três doses para aqueles com peso inferior a 2kg ou que nasceram com menos de 33 semanas de gestação. Caso a mãe seja portadora de Hepatite B, o bebê deve receber ainda um reforço de anticorpos específicos. É recomendado que as demais doses sejam combinadas, como a pentavalente e a hexavalente.

2) VSR

O sistema respiratório é o último a ser formado durante a gestação e os bebês prematuros são mais acometidos por doenças nesses órgãos. Um dos problemas possíveis é a infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Não há uma vacina propriamente dita contra ele, mas pode ocorrer a indução da imunização por meio de um anticorpo chamado palivizumabe (específico contra o VSR). Conforme avaliação médica, o procedimento pode ser indicado para bebês prematuros nascidos antes de 32 semanas, ou para portadores de doenças cardíacas e pulmonares nos dois primeiros anos de vida.

3) De olho no calendário mesmo no hospital

RECÉM-NASCIDO HOSPITALIZADO: deverá ser vacinado com as vacinas habituais, de acordo com a idade cronológica, desde que clinicamente estável. A vacinação do bebê prematuro começa a “contar” a partir do nascimento, como a de qualquer outro bebê. Mesmo estando internado, é preciso que os responsáveis e os médicos monitorem de perto o esquema vacinal, uma vez que ele pode ficar em segundo plano em função de outros cuidados dos quais o bebê precisa. Não usar enquanto o RN estiver hospitalizado as vacinas de vírus vivos (poliomielite oral e rotavírus).  A vacina de vírus vivos atenuados rotavírus , um agente que causa diarreia grave, só deve ser realizada após a alta hospitalar respeitando o intervalo de 6 semanas a 8 meses e 0 dia. A primeira dose deve ser obrigatoriamente aplicada até a idade de 3 meses e 15 dias, e a última dose até os 7 meses e 29 dias.

4) Converse com o médico antes das aplicações

Cada bebê prematuro tem seus pontos de atenção e suas reações, por isso pode ser que uma ou outra imunização não seja indicada. É que existem vacinas contra doenças bacterianas produzidas a partir de células inteiras das bactérias, o que aumenta a  probabilidade de reações adversas. Outros tipos de doses são “acelulares”, com menor risco de reação, por conter apenas algumas partes das bactérias. Essa avaliação deve ser feita pela equipe médica.

5) Vacina pós-alta

De modo geral, o bebê prematuro deve acompanhar a vacinação de modo que contemple todas as vacinas indicadas para a idade. No entanto, a criança pode ter que continuar em casa algum tratamento iniciado no hospital, com uso de medicamentos que podem intervir na vacinação. Existem casos em que a vacinação pode ser adiada por um tempo ou até contraindicada.

6) Prefira vacinas mais amplas

Sempre que possível, o bebê prematuro deve receber vacinas contra o maior número possível de tipos de microrganismos, as chamadas conjugadas. Todas as vacinas da rede pública devem ser aplicadas. Cabe aos Pais junto com o médico avaliar os riscos e benefícios em aplicar outras vacinas como a ACWY, que protege contra quatro tipos de meningites e só é encontrada na rede privada. No caso do bebê prematuro, a proteção mais ampla é sempre a mais indicada.

7) Pessoas próximas também devem se vacinar

Existem muitas doenças que podem ser passadas aos prematuros por pessoas não vacinados. Uma das mais comuns é a coqueluche, que acomete o aparelho respiratório (traquéia e brônquios), com alta incidência em recém-nascidos. Por isso, todos que tiverem contato com o bebê prematuro devem estar vacinadas até que a criança complete todas as doses. Na situação acima descrita, o adulto poderá receber a DTPa ( Difteria , Tétano e Coqueluche) garantindo a sua proteção e a do bebê.

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