segunda-feira , 27 junho 2022
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Índices de volume de produtos químicos crescem no 3º trimestre

Os dados relativos a produção, vendas e demanda por produtos químicos de uso industrial no terceiro trimestre corroboram a expectativa de retomada da economia. Na avaliação deste período comparado ao trimestre imediatamente anterior, os números são bastante positivos, principalmente por conta da base fraca de comparação: a produção cresceu 5,44%, as vendas internas 12,63%, enquanto a demanda interna, medida pelo consumo aparente nacional (CAN), teve alta de 8,7%.

Na avaliação da diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, percebe-se uma melhora lenta porém gradativa, mas os índices ainda estão muito abaixo dos registrados em 2007. “Após quase três anos mergulhados em profunda crise, a expectativa é pela retomada consistente e duradoura da economia brasileira e, mais especificamente, da indústria. Mas, para isso, algumas medidas estruturantes e de longo prazo precisam ser tomadas. Apesar do alívio momentâneo, não se pode deixar de mencionar que a retomada da atividade econômica e da demanda interna voltará a pressionar os resultados da balança comercial de produtos químicos, quer pela falta de competitividade da indústria nacional, que não consegue competir com outros países, quer pela falta de produção local de uma série de produtos, especialmente daqueles ligados ao agronegócio, além do alto preço da matéria-prima e da energia”, analisa Fátima Giovanna.

A boa notícia, no entanto, é acompanhada da má: enquanto os índices crescem, as importações crescem ainda mais. Entre julho e setembro de 2017, as importações de produtos químicos de uso industrial subiram 17% sobre o trimestre imediatamente anterior. No período de janeiro a setembro, as compras externas de produtos químicos aumentaram 27,9%, ocupando 37,8% da demanda nacional desses produtos, o maior índice já registrado desde o início da série. Já as exportações registraram arrefecimento com a variável mantendo-se praticamente estável na comparação com igual período do ano passado (+0,2%). O índice de produção cresceu apenas 0,54% e o de vendas internas teve recuo de 1,22%. A taxa de utilização da capacidade instalada ficou em 78% entre janeiro e setembro, dois pontos abaixo da média do ano passado. No que se refere ao CAN, a variável exibiu elevação da demanda da ordem de 7,1%, sobre os mesmos meses do ano passado, reforçando o quadro de melhora no ambiente econômico interno.

O presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, lamenta que, em pleno período de recuperação econômica, o País não esteja aproveitando a oportunidade e todo seu potencial para fortalecer a indústria química, tornando-a mais competitiva. “Temos todas as características para nos tornarmos umas das maiores indústrias químicas do mundo. Possuímos matéria-prima abundante e a maior biodiversidade do planeta, mas questões como o Custo Brasil, problemas de infraestrutura e matéria-prima cara impedem o crescimento do setor e isso, de certa forma, acaba refletindo nas demais indústrias a jusante.”

Ainda segundo Fátima Giovanna Coviello Ferreira, o câmbio em um patamar mais adequado poderia ajudar as exportações e a recuperação do mercado doméstico, como de fato ocorreu entre 2015 e 2016, mas, ele apenas, não seria suficiente para estimular uma competição mais efetiva no mercado internacional e alavancar a produção, em razão dos fatores relacionados ao custo Brasil e, no caso mais específico da química, às matérias-primas e energia. Com a volta da valorização do Real em relação ao dólar no período recente (quase 20%), as exportações diminuíram e aumentou o ímpeto das importações. O Brasil tem um mercado que não pode ser desprezado, além de possuir recursos naturais importantes para o desenvolvimento da indústria química, sem contar o Pré-Sal e a biomassa. O aproveitamento dessas oportunidades significará a melhora do ambiente de produção, do ambiente de negócios e da atração por novos investimentos, que trarão ao País mais empregos, mais negócios, mais investimentos e, consequentemente, mais impostos.

No que se refere ao índice de preços, na média dos últimos três meses, de julho a setembro, houve deflação nominal de 3,97%, sobre a média de preços praticadas entre abril e maio deste ano. O desempenho internacional dos preços dos produtos químicos vem sendo afetado sobretudo pelo recuo da cotação do barril do petróleo e do gás natural no mercado internacional e também pela modificação da estrutura de suprimento de químicos no mundo, com a liderança maior dos Estados Unidos, que antes eram grandes importadores de produtos químicos e hoje estão se tornando cada vez mais exportadores. Os EUA ganharam peso e relevância no que diz respeito à competitividade internacional, notadamente em razão de suas matérias-primas e da energia, com o surgimento do shale gas, e passaram a ser vistos como potencialmente atrativos para novos investimentos. Para a diretora Fátima Giovanna Coviello Ferreira, “nesse cenário, o Brasil também precisa trabalhar para ter matérias-primas e energia mais competitivos para o desenvolvimento e não sucateamento de sua indústria. Potencial existe, especialmente pelo pré-sal”.

Fonte: Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química (www.abiquim.org.br)

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