domingo , 3 julho 2022
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EMS eleva aposta em internacionalização

Maior farmacêutica do Brasil, a EMS elevou a aposta para se consolidar como multinacional de origem brasileira e avançar na Europa. Cerca de três meses depois de comprar o laboratório sérvio Galenika, a empresa do grupo NC, controlado pela família Sanchez, fez uma oferta pela unidade europeia de medicamentos genéricos da francesa Sanofi. A operação pode chegar a US$ 2,4 bilhões.

Com a potencial aquisição, a EMS ganharia musculatura no Leste Europeu, onde chegou com a compra da Galenika e a unidade da Sanofi, a Zentiva, tem forte atuação. A farmacêutica brasileira estabeleceu sua primeira base fabril fora do país a partir da aquisição do laboratório, o terceiro maior da Sérvia, e garantiu presença importante em mercados dos Balcãs e Leste Europeu. “A EMS se tornaria uma multinacional de fato”, avalia um executivo do setor.

Fundada na República Tcheca, a Zentiva passou às mãos da Sanofi em 2008, em transação que avaliou o ativo em US$ 2,6 bilhões. No processo atual de venda, o valor atribuído de US$ 2,4 bilhões corresponderia a cerca de 12 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), estimado em US$ 200 milhões. Para efeito de comparação, a EMS teve receita líquida de R$ 2,92 bilhões em 2016, com Ebitda de R$ 485 milhões.

Em nove meses até setembro, as vendas líquidas do negócio de genéricos da Sanofi, incluindo todas as regiões, alcançou EUR 1,34 bilhão, uma parcela pequena das vendas líquidas totais de EUR 26,36 bilhões da farmacêutica. Especificamente no terceiro trimestre, as vendas da área caíram 0,9%, a EUR 433 milhões, pressionadas pela queda de 7,1% na Europa, para EUR 183 milhões.

A Zentiva foi colocada à venda no fim de 2015 e, além de fundos de investimento e da EMS, atraiu a indiana Torrent, que também teria apresentado uma proposta, segundo a agência de notícias Reuters. A expectativa é a de que o negócio seja concluído ainda no primeiro semestre.

O Valor apurou que a EMS tem olhado oportunidades no mercado de genéricos fora do país e direcionou a atenção ao mercado europeu após a aquisição da Galenika, em novembro, mediante investimentos de EUR 46,5 milhões. O tamanho da nova aquisição, porém, pode alavancar a farmacêutica, na avaliação de fontes da indústria.

No fim de 2016, a alavancagem financeira do laboratório estava em apenas 0,2 vez (pela relação entre dívida líquida e Ebitda), segundo cálculo do BTG Pactual. Mas poderia chegar a 7 vezes com a eventual compra na Europa, segundo uma fonte do setor. Diante disso, a percepção é a de que a EMS poderia fechar o negócio em parceria com um investidor financeiro.

No fim de novembro, a equipe de análise do BTG dedicou um extenso relatório à EMS, intitulado “Um líder de uma indústria com sólidos fundamentos”. O banco destacou o “histórico de manutenção de uma sólida estrutura de capital”, suportada pela forte geração de caixa. O prazo médio da dívida de cinco anos é visto como confortável e a necessidade de investimentos para os próximos anos era baixa.

Além disso, a geração de caixa, escreveram os analistas Matheus Chermauth e Beatriz Watanabe, “sustentou altos níveis de pagamento de dividendos sem alavancar a estrutura de capital – nos últimos três anos, a companhia distribuiu em média R$ 247 milhões por ano (cerca de 93% do lucro)”.

Com a potencial aquisição, a EMS acelera sua estratégia de internacionalização, que ganhou força a partir de 2013 com a constituição de uma empresa de inovação radical nos Estados Unidos, a Brace Pharma. Desde 2006, a empresa tem um acordo técnico-científico com o laboratório de pesquisa italiano MonteResearch.

Para executivos da indústria, farmacêutica faz sentido a líder no mercado brasileiro buscar outras regiões, num momento em que há cada vez menos novas moléculas a serem exploradas pelas fabricantes de genéricos. “Esse é um negócio medido por unidades, escala. É preciso ter tamanho. Mas o mercado europeu é diferente do brasileiro, com competidores bem maiores”, afirma uma fonte. A israelense Teva e a Sandoz, do grupo Novartis, são grandes competidores naquele mercado.

Procurada, a Sanofi informou, em nota, que “recebeu diferentes manifestações de interesse pela aquisição do negócio de genéricos no mercado europeu”, mas não fará comentários adicionais. A EMS também informou que não vai comentar o assunto.

Fonte: Valor

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