Farmacêutica passará a integrar grupo com sólida atuação nos setores de agronegócio e energia
A farmacêutica brasileira Pharlab, de origem mineira e com 25 anos de operações, anuncia uma nova fase em sua trajetória após 13 anos integrando o Grupo Servier (França). A companhia foi adquirida por um grupo de empreendedores reunidos por Nelson Libbos, com sólida atuação nos segmentos de agronegócio e energia.
A operação marca o início de um ciclo de crescimento que prevê a diversificação de áreas terapêuticas no portfólio da fabricante, atualmente uma das referências na produção de medicamentos genéricos e similares. A decisão do Grupo Servier de desinvestir em operações globais para concentrar esforços no mercado de oncologia e especialidades – movimento que incluiu as vendas da Swipha (Nigéria), em 2024; e da Biogaran (França), em junho deste ano, – abriu caminho para a transação no Brasil.
“Participei ativamente da integração da Pharlab à companhia francesa e acompanhei uma tradicional empresa familiar profissionalizar por completo a sua gestão. Ganhamos envergadura e aumentamos dez vezes de tamanho, o que respaldou a transição para esse novo momento. As conversações com o grupo de empreendedores começaram há dois anos e rapidamente tivemos um casamento de aspirações”, ressalta Eduardo Martins, CEO da farmacêutica.
Nova governança
Com a aquisição, a fabricante passará a ter Nelson Libbos como presidente do Conselho de Administração. O executivo contabiliza mais de 50 anos de experiência na indústria farmacêutica, com passagens por cargos de decisão em laboratórios como BMS, grupo DOW, HMR, Aventis, Farmasa, Teva e Cellera. Já Luiz Eduardo Violland, consultor com trânsito no setor, conduzirá as relações institucionais e com os canais de distribuição, apoiando o CEO e o conselho.
“A Pharlab construiu uma plataforma industrial sólida, com trajetória consistente e uma equipe de excelência. Encontramos a oportunidade ideal para desenvolver uma nova companhia nacional forte em genéricos, prescrição e OTC, com expansão futura para dermocosméticos. Nosso compromisso é acelerar projetos de P&D e ampliar significativamente a presença da empresa em novas áreas terapêuticas”, enfatiza Libbos.
A governança prevê a manutenção da atual estrutura de diretorias, além da estruturação de três unidades de negócios. A empresa passará a se chamar Merrell Lepetit, mantendo a divisão de genéricos com a marca Pharlab. A linha Lepetit – criada na Itália no início do século 20 com foco em antibióticos e analgésicos – será retomada no segmento de prescrição. Já a Merrell englobará o portfólio de produtos OTC, incluindo medicamentos isentos de prescrição e artigos de beleza.
Medicamentos inovadores e parcerias com poder público no radar
A aquisição também prevê 180 novos postos de trabalho nos próximos dois anos, impulsionando operações de pesquisa, desenvolvimento e negócios no parque industrial baseado em Lagoa da Prata (MG). O complexo tem capacidade para produzir até 12 milhões de unidades por mês. Hoje a Pharlab reúne 160 apresentações de medicamentos, das quais 42 são exclusivas ou contam com no máximo dois concorrentes.
“Vamos trabalhar em torno de conexões com mercados maduros da Ásia e da Europa, em busca de oportunidades para trazer ao Brasil medicamentos à base de inovação incremental ou mesmo radical. Também teremos estofo para investir em parcerias com o poder público, por meio de um pipeline capaz de atender a doenças negligenciadas ou carentes de mais alternativas terapêuticas no país”, antecipa Nelson Libbos.
“Manteremos nossas parcerias, a qualidade reconhecida e o cuidado nas relações que caracterizaram a Pharlab. Essa nova etapa nos permitirá ampliar presença junto às redes de farmácias e às varejistas independentes, onde já cobrimos 95% dos pontos de venda; distribuidores e hospitais”, finaliza Eduardo Martins.
Sobre a Pharlab
A farmacêutica brasileira Pharlab iniciou operações em 2000. Com sede no município de Lagoa da Prata, em Minas Gerais, o laboratório mantém um complexo fabril integrado a um centro de armazenagem e distribuição e um polo de pesquisa e desenvolvimento. Seu portfólio reúne cerca de 160 apresentações, das quais 42 são exclusivas ou semi-exclusivas.
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