*Por Bernardo Craveiro
No varejo farmacêutico, a eficiência do estoque é uma questão que vai muito além da boa gestão comercial. Trata-se de uma operação que lida diariamente com produtos regulados, vencimentos curtos, alto giro em categorias essenciais e baixa rotatividade em itens específicos, além de riscos financeiros e sanitários quando algo foge do controle. O desafio é grande e o caminho para solucioná-lo passa pela tecnologia.
Gerenciar estoques em farmácias é uma equação delicada. Quem está no caixa sabe que determinados medicamentos não podem faltar: antibióticos, antialérgicos, itens contínuos para doenças crônicas. Uma ruptura pode significar não apenas perda de receita, mas também impacto direto na fidelização. Ao mesmo tempo, estoque em excesso imobiliza capital, ocupa espaço e aumenta o risco de vencimentos, especialmente entre os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), dermocosméticos e vitaminas, onde a velocidade de saída pode variar muito entre lojas e regiões.
Outro ponto sensível é o cumprimento de normas regulatórias. Medicamentos controlados exigem rastreabilidade precisa, integração com sistemas governamentais e registros detalhados. Qualquer erro gera custo, retrabalho e, em casos mais críticos, multas e riscos legais.
Além disso, estamos falando de um mercado com grande amplitude de mix: milhares de SKUs – ou Unidade de Manutenção de Estoque – que variam por estação, como por exemplo, os antigripais no inverno, por região ou pelo perfil do público. A tentativa de prever tudo manualmente abre margem para decisões baseadas em instinto e não em dados. Em redes com muitas lojas, compras descentralizadas intensificam o problema, resultando em unidades super abastecidas enquanto outras sofrem com falta de produtos essenciais.
É nesse cenário que a tecnologia assume protagonismo. Soluções especializadas em varejo farmacêutico possibilitam uma gestão baseada em dados, permitindo que o varejista tome decisões com confiança e previsibilidade. Sistemas avançados de ERP analisam histórico de vendas, sazonalidade, comportamento regional e até dados externos para prever demanda e sugerir reposições automatizadas, reduzindo a dependência do “feeling.”
Outro avanço importante está no controle de validade e lote, com alertas automáticos sobre itens próximos ao vencimento e possibilidade de remanejamento entre lojas, evitando perdas e desperdícios. A integração com o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, da Anvisa, garante conformidade legal e reduz erros humanos. Já tecnologias operacionais, como os coletores digitais, realizam a contagem do inventário em tempo real, otimizando capital e tempo dedicado ao processo.
O resultado dessa transformação é visível: menos ruptura, menos perdas, compliance mais seguro, mais margem de lucro e, principalmente, um cliente mais bem atendido.
O setor avança rápido, impulsionado por players que já entenderam que estoque não é custo — é estratégia. Em um mercado de alta competitividade e regulamentação rígida, quem operar com precisão sairá na frente. O varejo farmacêutico tem uma oportunidade clara: usar tecnologia para reequilibrar eficiência e responsabilidade. O consumidor e a saúde pública agradecem.
*Bernardo Craveiro é diretor de Farma da Linx.
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