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Arquivo Diário: 16/06/2019

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Maconha para tratamento depende de consulta pública

Foram aprovadas ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) duas propostas que podem liberar o cultivo da Cannabis sativa (maconha) para tratamento médico e por instituições de pesquisa. Para que seja liberado o cultivo e o uso em medicamentos, as propostas agora passarão por consultas públicas.

Antes disso, elas devem ser publicadas no Diário Oficial da União, o que está previsto para ocorrer na semana que vem. Após sete dias da publicação, de acordo com a Anvisa, serão abertas para contribuição da população em geral.

Atualmente, remédios à base de maconha são usados para tratamentos de doenças como epilepsia, autismo grave e Alzheimer, e só são liberados por decisão da Justiça.

Uma das propostas trata dos requisitos técnicos e administrativos para cultivo da planta por empresas farmacêuticas. Determina que seja feita única e exclusivamente para fins medicinais e científicos, e em locais fechados. O cultivo não estaria liberado para cidadãos comuns.

A segunda resolução, sobre o registro e monitoramento de medicamentos produzidos à base de cannabis, seus derivados e análogos sintéticos, prevê a rastreabilidade dos remédios, desde o produtor, passando pelo transportador e drogarias, até o paciente.

Para o fundador da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace Esperança), Cassiano Teixeira, as propostas são passos importantes, porém é necessário que mais pessoas tenham acesso ao tratamento com a maconha.

“A aprovação será o início de uma nova fase, mas as associações e os pais vão continuar lutando pelo direito de fazer o autocultivo, que poderia beneficiar mais pessoas. Para a Anvisa, ficaria o trabalho de fiscalizar e registrar”, declarou.

Para o neuropediatra Raphael Rangel, do Vitória Apart Hospital, a utilização da planta no tratamento de doenças precisa de medidas regulatórias. “O uso do canabidiol é mais uma opção de tratamento. Não pode ser estimulado o cultivo sem fiscalização e registro. A aprovação se torna importante para cultivo controlado”, ressaltou.

A neurologista Ana Carolina Rossi, da MedSênior, destacou que o País é um dos pioneiros no estudo do uso medicinal da maconha.

“Foi uma melhora supreendente”

A dona de casa Gerliana Ferreira, de 39 anos, luta há dois anos na Justiça para que seu filho Pedro Henrique Ferreira, de 15 anos, possa ter acesso ao uso do medicamento à base de maconha. Pedro tem epilepsia e, desde os 4 anos de idade, sofre com a doença.

“Se a Anvisa liberar o cultivo e os medicamentos à base de maconha, para mim, será uma vitória. Meu filho fez uso do medicamento por 20 dias, graças ao seu médico, e foi uma melhora surpreendente”, relatou.

Gerliane contou que o filho chega a ter mais de 12 crises convulsivas por dia. “ No ano passado, ele frequentou a escola apenas durante dois meses. Ele depende de mim para tudo. Não desisti de conseguir o direito na Justiça de meu filho tomar a medicação” .

Fonte: Jornal A Tribuna

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