sábado , 21 julho 2018
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Daiichi-Sankyo põe Brasil no centro da estratégia para a América Latina

Maior farmacêutica do Japão e constituída a partir da fusão de dois laboratórios centenários, a Daiichi-Sankyo, dona do anti-inflamatório Hirudoid, transformou a fábrica que opera no Brasil em centro de produção para a América Latina e poderá usar a estrutura local para atender novos mercados internacionais, entre os quais o Canadá.

No mundo, relatou ao Valor o presidente da operação local, Marcelo Gonçalves, o laboratório japonês está adaptando suas unidades para a fabricação de produtos oncológicos e o Brasil é candidato ao investimento. Hoje, o portfólio local conta com 12 medicamentos, com destaque para a linha de cardiologia, e nenhum deles é voltado a essa área terapêutica.

Até 2025, a ambição da Daiichi-Sankyo é ser reconhecida como farmacêutica global inovadora e de referência no tratamento do câncer. A decisão sobre o aporte no país ainda não foi tomada, mas está definido que a operação brasileira contará com uma nova unidade de negócios, de oncologia, entre 2019 e 2020.

A partir de 2022, essa deve ser a principal área de negócios também no Brasil. A introdução do portfólio de oncologia no mercado brasileiro vai estimular novas contratações, segundo Gonçalves. Hoje, a operação local da Daiichi-Sankyo emprega 400 pessoas, frente a 364 no ano passado. A previsão é de expansão de 10% nos próximos dois anos.

No mercado internacional, as receitas da farmacêutica japonesa têm sido afetadas pela perda de patente de produtos relevantes nos Estados Unidos e Europa. Com o avanço das pesquisas clínicas para tratamentos inovadores, principalmente para câncer de mama, gástrico e de pulmão, a expectativa é a de que as vendas consolidadas voltem a crescer.

No ano fiscal de 2017, encerrado em 31 de março, a receita global do laboratório totalizou cerca de US$ 10 bilhões, dos quais R$ 332 milhões no Brasil. Para a operação local, o desafio não foi a perda de patentes de medicamentos – desde 2012 já não há patente local -, mas o impacto do encerramento dos negócios na Venezuela, cujo mercado era atendido pela fábrica de Barueri (SP). “Já conseguimos recuperar boa parte do volume a partir de uma parceria no México para produtos recém-lançados”, contou Gonçalves.

O Brasil representa apenas 3% da receita global da farmacêutica japonesa, que nasceu em 2005 da fusão entre a Sankyo Co. e a Daiichi Pharmaceutical, mas é estratégico por garantir acesso ao mercado latino-americano e por causa da relevância do mercado doméstico de medicamentos, segundo o executivo. Embora ainda não tenha se confirmado como quarto maior mercado farmacêutico do mundo, o país caminha para subir um degrau no ranking nos próximos anos.

Entre 2008 e 2010, a Daiichi-Sankyo investiu para remodelar a fábrica brasileira e adaptá-la aos padrões internacionais, alavancando as exportações. Atualmente, da unidade construída pela alemã Luitpold Produtos Farmacêuticos (comprada pela Sankyo em 1990) em Alphaville nos anos 80, saem medicamentos para 16 países da América do Sul e Central.

Com capacidade para 15 milhões de unidades por ano, a fábrica não está plenamente tomada e pode absorver vendas crescentes. Do volume total, cerca de 40% é exportado. “Com o lançamento de novos produtos, haverá expansão também nas exportações”, afirmou Gonçalves. No último ano fiscal, enquanto as vendas totais da operação cresceram apenas 1% por causa da Venezuela, a expansão da farmacêutica no mercado brasileiro foi de 16%. Para 2018, a expectativa é crescer 11% e 14%, respectivamente.

O ano em curso marca a estreia da Daiichi-Sankyo na área de sistema nervoso central no país, com uma droga (cloridrato de lurasidona) para tratamento de transtorno bipolar e depressão. Outro medicamento, um anticoagulante oral, também está na lista de lançamentos.

“Houve o impacto da crise [econômica no Brasil], mas mantivemos nossa estratégia sem corte ou redução dos investimentos por acreditar que o país vai superar essa fase”, ponderou o executivo.

Fonte: Valor Econômico

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